As notas estruturadas foram lançadas há poucos anos no Brasil, quando foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no segundo semestre de 2013. Apesar de não ser um produto antigo no Brasil, são muito conhecidas em outros países.

Segundo dados da CETIP, responsável por cerca de 10% de toda a fonte de recursos do sistema bancário mundial – o que na época representava cerca de 2 trilhões de dólares.

Mas, afinal, o que vêm a ser essas tais notas estruturadas? Será que é possível investir nelas? Pensando na importância do assunto e na escassez de informações detalhadas sobre, resolvemos escrever este artigo.

Nele, mostraremos o conceito de notas estruturadas, como funcionam, as vantagens e as desvantagens, entre outros pontos importantes. Acompanhe e faça uma proveitosa leitura!

 

O que são notas estruturadas?

Para iniciar o entendimento desse assunto, discorreremos sobre o seu conceito.

Basicamente, as notas estruturadas são uma modalidade de investimento que tem por objetivo agregar diversos produtos financeiros de formatos distintos, possibilitando a mescla entre instrumentos de renda fixa e renda variável em sua composição.

O principal foco dessa modalidade de investimento é criar uma espécie de equilíbrio entre risco e retorno. Afinal, a renda fixa e a renda variável têm características totalmente antagônicas entre elas. A primeira, por exemplo, representa mais segurança, porém, rentabilidades baixas, dependendo do título, da taxa de juros e da inflação do período.

As rentabilidades mais altas aparecem com mais facilidade na renda variável, entretanto o risco também tende a ser maior se compararmos ao risco atrelado aos investimentos de renda fixa. Porém, com notas estruturadas, é possível investir em um único produto que une ambas as modalidades de investimento.

A nomenclatura notas estruturadas é comumente empregada em outros países, em especial nos Estados Unidos e em alguns do continente europeu. Em nosso país, essa modalidade de investimento é mais recente, como você já sabe. Ela foi batizada com o nome de Certificado de Operações Estruturadas, sendo representada pela sigla COE, que também utilizaremos para nos referir a esse tipo de investimento

 

Como as notas estruturadas funcionam?

Agora que você já entendeu o que são as notas estruturadas, discorreremos sobre como elas funcionam no mercado financeiro brasileiro.

Os COEs são emitidos por instituições bancárias e apresentam como principal característica, o fato de serem estruturados sobre estratégias de investimento indireto. Por exemplo, a estratégia pode ser baseada em ações, mas não investe diretamente nas ações, e sim, as utiliza como ativos subjacentes. Isso favorece para que os COEs sejam baseados em cenários que levam em consideração tanto ganhos quanto perdas.

Desse modo, o investimento pode ser atrelado a um indexador da economia, uma moeda, uma ação, um índice ou, até mesmo, uma taxa de juros. Assim, se o ativo de referência atingir um patamar predeterminado, que será informado no Documento de Informações Essenciais (DIE), o investidor recebe o valor nominal, acrescido à rentabilidade estabelecida.

Caso o contrário aconteça, pode haver perdas ou não, dependendo da modalidade do COE com o qual decidiu trabalhar: de capital protegido ou em risco, como abordaremos a seguir.

Esse é outro fato característico do COE: ele pode ser emitido sob uma dessas duas modalidades de limitação de perda:

• Valor Nominal Protegido: essa modalidade dispõe de capital protegido, ou seja, independentemente do que aconteça, 100% do valor principal investido, estará garantido. Essa modalidade é a mais atrativa para investidores com perfil conservador;
• Valor Nominal em Risco: já nessa modalidade, pode haver garantia parcial do capital ou, o que é mais comum nessa modalidade, a possibilidade de perda total, porém, até o limite do capital investido, não mais que isso.

 

O COE é um título dinâmico e que possui uma complexa estrutura, sendo que, atualmente, a B3 denomina até 55 cenários de perdas e ganhos diferentes, para esse tipo de investimento. Assim, além das perdas, os ganhos também costumam ser limitados.

Alguns outros pontos precisam ser ressaltados sobre esse investimento:

  • Tem prazo de vencimento previamente definido, que no geral, varia entre 2 e 5 anos;
  • Valores mínimos para aplicação;
  • A tributação, assim como ocorre sobre títulos de renda fixa, segue a tabela regressiva de Imposto de Renda (IR), que varia entre 15% e 22,5%, dependendo do prazo de investimento e, obviamente, só ocorre caso haja resultado positivo.

Esse investimento pode ser estruturado de modo a oferecer um rendimento fixado atrelado ao indexador. Para você entender melhor como funcionam as notas estruturadas – ou COEs – observe o exemplo abaixo.

Por exemplo, um determinado COE oferece um rendimento fixo de 40%. Entretanto, para que isso ocorra, o IBOVESPA deve ter um avanço de 20% em determinado período.

Assim, caso o principal índice da Bolsa de Valores valorize-se no percentual definido, o investidor recebe o rendimento pré-determinado na estrutura do COE, que é de conhecimento do investidor antes da aplicação ocorrer.

Por outro lado, se o IBOVESPA recuar durante o prazo da aplicação ou até dentro de um período preestabelecido – que pode ocorrer antes do vencimento –, ou mesmo permanecer estável, e o COE for de capital protegido, o investidor poderá ter seu investimento inicial de volta, não ocorrendo perda ou ganho no período.

Entretanto, caso a modalidade do COE não seja de capital protegido, e sim de valor nominal em risco, o investidor pode perder todo o dinheiro. De qualquer forma, o limite é dado pelo montante total investido, e não há a possibilidade de arriscar mais do que esse valor.

 

Quais são os tipos de notas estruturadas?

Como mencionamos, existem dois tipos de notas estruturadas: com valor nominal protegido e com valor nominal em risco. Para entender, na prática, como isso funciona, exemplificaremos sobre as duas modalidades logo abaixo.

Imagine que um investidor aplique R$ 10.000 em um COE. Suponha ainda, que esse investimento ofereça 30% de rentabilidade caso ocorra uma alta de 15% ou mais no preço do dólar, em determinado período.

No caso de a modalidade do COE ser de valor nominal protegido, teremos dois cenários a serem considerados.

Primeiro, caso ocorra uma alta igual ou superior a 15% no preço do dólar, no período estipulado, o investidor recebe a rentabilidade pactuada, que no caso do exemplo, é de 30% sobre o valor investido. Entretanto, caso a valorização seja inferior a 15%, ou mesmo ocorra desvalorização, o investidor receberá o valor principal aplicado.

No caso de a modalidade do COE ser de valor nominal em risco, o investidor pode ter prejuízo, caso o preço do dólar não atinja determinado percentual de valorização, conforme indicado na lâmina e no DIE do produto.

Entretanto, o limite máximo para a perda, no caso de fracasso da estratégia, será R$ 10.000, que foi o capital total aplicado.

Portanto, caso você opte por investir em Notas Estruturadas, fique atento à lâmina, ao DIE e especialmente à modalidade do investimento.

 

Quais são as vantagens e desvantagens de investir em notas estruturadas?

Agora que você já entendeu bem o que são as notas estruturadas e como funcionam, discorreremos sobre as principais vantagens e desvantagens desse tipo de investimento. Continue lendo!

Vantagens
Uma das maiores vantagens dessa modalidade de investimento é a possibilidade de ganhar em todos os tipos de cenário do mercado, sejam eles de baixa ou de alta.

Além disso, também existem COEs que possibilitam ao investidor ganhar mesmo que o mercado permaneça em estabilidade. Nesse caso, é possível a exposição em ativos mais complexos e sofisticados, como o mercado de câmbio, ações e, até mesmo, índices internacionais.

Esse mercado também costuma oferecer rentabilidades muito acima da média, especialmente quando comparado aos ganhos de títulos de renda fixa, mas com a segurança semelhante a esse tipo de aplicação.

Além disso, também existem outras vantagens que precisam ser levadas em consideração, tais como:

  • Acesso a estratégias sofisticadas, sem a necessidade de arcar com custos para desenvolvê-las;
  •  Ausência de come-cotas – um tipo antecipação do IR que reduz as cotas do investidor em alguns fundos de investimento;
  • Possibilidade de acesso a rentabilidades atreladas à produtos de diversos países, sem a necessidade de se enviar recursos para outro país;
  • Diversificação dos investimentos de forma fácil;
  •  Estruturas que permitem um maior controle de riscos, trazendo mais segurança ao investidor.

Desvantagens

Como nem tudo são flores, esse tipo de investimento também possui algumas desvantagens que o investidor precisa conhecer antes de fazer a sua aplicação. Afinal, em alguns casos, pode haver riscos que não são tolerados por todos os perfis de investidor.

Por isso, vamos discorrer sobre as principais.

Um fato que chama a atenção dos investidores mais conservadores, é a inexistência do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso expõe o investidor ao risco de crédito do banco emissor, que é quem de fato realiza o pagamento, por mais que o COE tenha sido intermediado por uma outra instituição ou plataforma de investimentos. Isso significa que existe o risco de você perder todo o valor investido, caso o banco emissor não honre com o pagamento, devido à falência, por exemplo.

Além disso, vale a pena ressaltar que esse tipo de investimento não disponibiliza de resgate antecipado opcional, ou seja, não pode ser resgatado a qualquer momento, à critério do investidor. Isso pode não ser nenhum problema para investidores que têm estratégias mais voltadas para o médio e longo prazo. Entretanto, se você precisar do dinheiro para alguma emergência, não vale a pena apostar em notas estruturadas.

Por fim, devemos citar que, o valor aplicado em COE que não proporcionar resultados positivos, ficará em um cenário que conhecemos como zero a zero – isso ainda se tiver sido emitido na modalidade de capital protegido. Sendo assim, ele nem sequer receberá a correção pela inflação.

Desse modo, você teria o risco de ter essa desvalorização inflacionária e, ainda, perderia a oportunidade de investir em outros ativos que poderiam gerar uma rentabilidade maior ou, pelo menos, proteger você contra a inflação, como ocorre ao investir em títulos IPCA+ do Tesouro Direto, por exemplo.

Como funciona a tributação desse investimento?

A rentabilidade das notas estruturadas é objeto de tributação do Imposto de Renda, – o único imposto incidente sobre o COE – como mencionamos no início do artigo.

A tributação segue a tabela regressiva de IR, da mesma forma que ocorre em títulos de renda fixa tributáveis. Isso significa que, quanto maior for o prazo de investimento, menor será a alíquota do Imposto de Renda. Veja como funciona a tabela:

  • Alíquota sobre rendimentos de aplicações com prazo de até 180 dias: 22,5%;
  • De 181 até 360 dias: 20%;
  • Para investimentos de 361 a 720 dias: 17,5%;
  • Acima de 720 dias: 15%.

 

Geralmente, a alíquota de Imposto Renda incidente sobre o COE é de 15%, devido aos prazos mais comuns de vencimento serem superiores a 2 anos. Porém, é possível encontrar prazos inferiores a 2 anos, o que aumentaria a alíquota sobre rendimentos, conforme a tabela acima.

 

Quais são os riscos desse investimento?

Como mencionamos alguns tópicos acima, o COE pode ter algumas desvantagens diretamente ligadas aos riscos, que são:

  • Risco de Crédito do banco emissor: o pagamento oriundo de um investimento em COE é realizado pelo banco emissor. Caso o mesmo venha a falir, por exemplo, deixando de honrar com o pagamento, o investidor poderia perder todo o capital investido, já que esse investimento não conta com a cobertura do FGC. Vale ressaltar que o banco emissor nem sempre é aquele que oferece o produto ao investidor. Para obter essa informação, leia sempre o DIE antes de investir nesse produto.
  •  Caso necessite do valor antecipadamente, não é possível contar com esse investimento, que não disponibiliza opção de resgate a qualquer momento.
  •  COE de Valor Nominal em Risco: como você aprendeu nesse artigo, essa modalidade apresenta certo grau de risco, já que o investidor pode perder todo o capital investido, caso os resultados não atinjam o que era esperado na estratégia.

 

Vale a pena investir em notas estruturadas?

Para saber a resposta, é importante avaliar, antes de mais nada, se o investimento atende ao seu perfil de investidor, e claro, quais os seus objetivos com a aplicação. É importante lembrar-se de que o mercado financeiro é repleto de oportunidades, e todas as metas sempre terão um produto específico vinculado a elas.

 

Como investir em notas estruturadas?

Investir em notas estruturadas é muito fácil. O primeiro passo é saber se a aplicação está de acordo com o seu perfil de investidor. Basicamente, existem três perfis: o conservador, o moderado e o arrojado. Cada um deles tem anseios, medos e conhecimentos diferentes.

Em seguida, é necessário fazer um alinhamento dos seus objetivos para saber se esse investimento, de fato, proporcionará os resultados esperados.

Feito isso, basta escolher a instituição, sempre levando em consideração o cuidado que mencionamos anteriormente, não se esquecendo de que não existe a proteção do FGC para as notas estruturadas.

O mais importante é saber que o investimento de notas estruturadas pode ser extremamente interessante para o investidor. Todavia, tudo precisa estar alinhado: seus objetivos, seu perfil e o produto escolhido. Analisando cuidadosamente cada um desses pontos, ficará fácil saber qual o COE ideal para você.

Se você gostou dessas informações e quer saber um pouco mais sobre esse tipo de investimento, convidamos a abrir a sua conta no modalmais e conhecer esses e outros produtos que temos à sua disposição.

 

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