O atual ministro da Fazenda cunhou uma frase que tentamos repetir: “vamos devagar que estamos com pressa”. Em outra, o Presidente Michel Temer fez uma mesóclise incluindo um “conserta-lo-ei”.

Português e frases à parte, a nossa preocupação está no tempo para formatar as medidas que irão apoiar o governo nas mudanças de curto prazo e criar ambiente para reformas de mais longo prazo, dessa forma, ampliaremos a credibilidade do país e suas instituições. Certamente isso não ocorrerá com um governo vacilante ou sofrendo sustos todas as semanas. Está aí para quem quiser ver os áudios vazados de gravações realizadas por Sergio Machado, ex-presidente afastado da Transpetro.

Já tivemos um ministro de Temer (Romero Jucá exonerado) e na sequência poderemos ter outro, o titular do ministério da Transparência, Fabiano Silveira (por enquanto segue no cargo). Isso sem contar com todos os ruídos que inevitavelmente acontecerão na continuidade da operação Lava Jato. Cada vez mais, cresce a probabilidade de termos políticos de peso envolvidos e sofrendo consequências, alguns ainda como colaboradores próximos de Temer. Assim, é preciso que o presidente tenha um padrão para lidar com tudo isso, na hipótese da divulgação de fatos.

Falamos isso porque estamos preocupados com o segundo semestre de 2016, já que seria preciso demonstrar números de conjuntura em processo de melhora, preparando, inclusive, as eleições municipais do final do ano. Nesse aspecto, o “devagar que estamos com pressa” soa muito oportuno, mas não pode ser nem tão devagar e, nem tão vacilante.

O governo passou no primeiro teste de aprovar a meta de déficit fiscal de R$ 170,5 bilhões, bem diferente da “não-meta” entre superávit de R$ 2,0 bilhões e déficit de R$ 96,0 bilhões do governo antigo, mas ainda precisa aprovar nas próximas semanas a DRU (Desvinculação de Receita da União) e o teto de gastos sem crescimento real. Isso só para começar a ter alguma margem de manobra. Temos que concordar que com a crise política tudo isso acaba sendo autêntica novela para aprovação.

O pior não é isso, já que as medidas até aqui apresentadas não inibem muito a situação de extrema dificuldade dos Estados e Municípios, assim como das empresas endividadas, recorrendo à recuperação judicial. Tudo isso permeado por situação caótica em algumas instituições e empresas públicas. Na realidade, tudo isso acaba caindo no colo do governo que terá que minorar impactos.

Notem ainda que o ponto nevrálgico não foi atacado, qual seja a reforma da Previdência e carga tributária maior. Muito provavelmente não escaparemos disso um pouco mais para frente. Se pelo lado doméstico a situação é muito complicada, por outro não teremos grande alívio vindo do exterior. Com alguma certeza os EUA devem elevar juros entre junho e julho, e isso mexe com o fluxo de recursos internacional. Igualmente, há até aqui equilíbrio nas pesquisa sobre o plebiscito que pode retirar o Reino Unido da União Europeia, e isso trará transtornos para a economia global.

Além do mais, apesar dos esforços de governos e bancos centrais, as respostas das economias tem sido muito lenta e existe grande preocupação com a China que é o nosso maior parceiro comercial.

Por tudo isso é que focamos nossa preocupação no segundo semestre que pode ser ainda mais complicado do que será o primeiro.

Concluímos e relembramos a frase de Sêneca que diz “não chega primeiro quem vai mais depressa, mas sim quem sabe aonde vai”.