alice

Em determinado ponto do livro de Alice que comemorou 150 anos, a personagem diz: “ou esse poço não tem fundo ou a queda não tem fim”. Isso retrata com cores fortes o momento presente do Brasil, onde existe sempre a possibilidade da situação piorar um pouco mais.

Na semana passada, vivemos esse clima com larga intensidade, com os mercados de risco por aqui descolando do clima internacional pelo comprometimento político, reforçando o mantra que a cena política domina inteiramente a situação econômica. A inédita prisão do senador Delcídio do Amaral no exercício do cargo e do importante banqueiro André Esteves, paralisou o Congresso Nacional e as votações previstas de ajuste fiscal foram suspensas.

Além disso, expôs de forma clara que a corrupção é endêmica no país, o que provoca forte repercussão no exterior, especialmente em investidores com interesse no país. Cabe lembrar que nessa semana teremos a visita de agência de classificação de risco ao país. Disso pode redundar novo rebaixamento, o que ampliará a aversão ao risco e impedirá investidores de aplicarem em risco Brasil.

O governo da presidente Dilma em função dos últimos acontecimentos e perda de seu líder no senado foi obrigado a contingenciar o orçamento de 2015, para não incorrer em improbidade fiscal já detectada pelo TCU anteriormente, e levou a contingência para cerca de 89,5 bilhões (mais R$ 10,5 bilhões), o que deve ampliar a paralisia no restante do ano, além da que já vinha acontecendo pela demora na aprovação das medidas do ajuste fiscal.

Por tudo isso as projeções de 2015 e, principalmente de 2016, só fazem piorar e estão claramente demonstradas pelas sucessivas projeções semanais da Focus do Bacen, além das mudanças nas estimativas de instituições financeiras de expressão no mercado. Como não poderia deixar de ser, os mercados reagem com grande volatilidade e o dólar já ameaça novamente superar a faixa de R$ 3,90, os juros mantém tendência de alta e a Bovespa mostra nova pressão vendedora, voltando ao patamar de 45000 pontos.

Apesar disso e, enquanto não perdemos o grau de investimento por outra agência de classificação de risco, os investidores estrangeiros garantem parte da liquidez diária da Bovespa alocando recursos de curto prazo e operando volatilidade. Porém, há um viés importante a ser considerado para aqueles que podem correr riscos de longo prazo. Com a desvalorização cambial do ano batendo na casa dos 60%, processos de fusão e aquisições de empresas ficou atraente, já que muitas são ainda competitivas e estão com valor de mercado absolutamente deprimidos.

Se o curto prazo está complicado, os preços estão baratos para horizontes temporais mais dilatados e para quem deseja tomar um pouco de risco, num mercado internacional absolutamente irrigado de liquidez. Certamente muitas empresas locais devem estar entrando no radar dos grandes investidores externos que apostam em recuperação da conjuntura e melhora do ambiente no longo prazo.

Lembramos que é exatamente nos momentos de crise que surgem as melhores chances de capturar lucros extraordinários.

Quem vai apostar nisso!

Alvaro Bandeira

Economista-Chefe Home Broker Modalmais