Boletim Mensal AZ QUEST - FEVEREIRO 2017

Prezado Investidor,

Fevereiro consolida o quadro político-econômico que vinha se desenhando nos últimos meses. Uma economia com inflação cadente e sinais tímidos de retomada, um governo forte no Congresso, mas com crescente impopularidade, em meio a um cenário externo que segue favorável, mas cada vez mais incerto.

As eleições dos Presidentes da Câmara e Senado e as aprovações de Moreira Franco e Alexandre Moraes demonstram a força política do Planalto. Por outro lado, são percebidas pela opinião pública como sinais de que o Governo pretende dificultar a atuação da Lava Jato e o combate à corrupção. Ainda que restrito a alguns grupos, o coro contra o governo ganhou a mídia durante o carnaval, e deverá voltar a ser escutado nas manifestações marcadas para março.

Apoiado pelo establishment econômico, o governo segue com a agenda reformista. Buscando incentivar o setor de construção civil, grande gerador de empregos, ampliou o Minha Casa Minha Vida e elevou o teto do valor dos imóveis que podem ser adquiridos com recursos do SFH. Também divulgou as regras da liberação dos recursos do FGTS, a fim de diminuir o endividamento da população e estimular o consumo.

Apesar da aprovação de diversas medidas econômicas, a atividade continua fraca. O desemprego segue em alta e a caótica situação financeira dos Estados gera instabilidade social, dificultando qualquer melhora na popularidade do Presidente.
Por outro lado, alguns dados sinalizam que a profunda recessão pode, finalmente, estar perto do seu ocaso. A indústria ainda respira por aparelhos, mas produção de alguns setores já dá sinais de pequena retomada (a PIM avançou 2,3% MoM em dezembro). A queda dos juros e a safra recorde deverão ser fatores positivos para o crescimento em 2017. Também vale ressaltar a surpresa positiva no resultado primário de 2016, (déficit de R$155,8bi, abaixo da meta orçamentária), resultado de despesas inferiores ao esperado.

A inflação segue surpreendendo para baixo, o que permitiu o BC voltou a cortar os juros em 0,75 p.p., para 12,25%, ao ano. A perspectiva de IPCA corrente abaixo de 4% no 3T17 e de inflação dentro da meta em 2018 abre espaço para cortes ainda maiores ou até mesmo de redução da meta para 2019, conforme sugerido pelo presidente do BCB.

Nos Estados Unidos, Trump termina seu primeiro mês de governo envolto em polêmicas – em especial, o escândalo que derrubou seu Secretário de Segurança Nacional, Michael Flynn por conversas com o Kremlin, não informadas para as autoridades – e com um recado claro que sua atuação será limitada pelo sistema político americano. O primeiro exemplo, veio do judiciário, onde a Corte de Apelação vetou o decreto que proíbe a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria mulçumana. Pressionado, Trump recuou e informou que enviará um novo texto ao Congresso.

Apesar de um discurso mais moderado no Congresso, Trump deve seguir com sua política de defesa do emprego americano e desregulamentação da economia, como no caso da revisão da reforma do sistema financeiro, a partir da lei conhecida como Dodd- Frank, a fim de estimular a concessão de crédito pelos bancos.

Outra fonte de oposição veio do FED, que deixou claro que trabalhará para conter eventuais pressões inflacionárias decorrentes de uma política fiscal expansionista e de desvalorização do dólar, medidas que contam com apoio da equipe de Governo.

Os PMIs industriais na China e Europa (maior nível desde abril de 2011) indicam melhora marginal na atividade dessas regiões. Apesar da surpresa no CPI da zona do euro (+1,1% em dezembro), a incerteza quanto a dinâmica da economia europeia, em meio ao período eleitoral de países importantes levou o presidente do BCE a reiterar que poderá aumentar sua política monetária acomodatícia, caso a taxa de inflação volte a desacelerar, no médio prazo.

ESTRATÉGIA DE RENDA VARIÁVEL

Nossos fundos de ações apresentaram resultado positivo no mês, impulsionados por nova valorização do mercado de ações brasileiro (Ibovespa: +3,08), em meio a um cenário de risk on global e valorização das commodities.
Novamente, destacamos o resultado do AZ Quest Top Long Biased, com alta de +5,53% no mês. Os principais ganhos vieram dos setores de Utilidades Públicas, Transporte, Bancos e, principalmente, na posição comprada e de valor relativo em Mineração, em mês de anúncio de reestruturação societária da Vale.

Os fundos da estratégia Long Short apresentaram resultado positivo, com ganhos nas posições compradas em Mineração, Saneamento e vendida em Bens de Consumo.

Seguimos comprados nos setores cíclicos globais e em empresas com retornos acima do seu custo de capital e fluxo de caixa recorrente, e vendidos em setores defensivos, de menor alavancagem operacional e negociados a múltiplos mais esticados.

ESTRATÉGIA MACRO

Em novo mês de valorização dos ativos de risco, nossos fundos voltaram a apresentar bom resultado (AZ Quest Multi: +3,49% (403% CDI), AZ Quest Yield: +2,20% (253% CDI).

As curvas de juros reais e nominais seguiram em movimento de fechamento, o que gerou contribuição positiva nas posições aplicadas nos DI’s e nas NTN-Bs de prazo intermediário, que carregamos há alguns meses. A posição comprada e de valor relativo em renda variável apresentou ganhos relevantes.

Também destacamos o bom resultado do livro de moedas, principalmente através da compra de Real, contra o Dólar e Euro. Seguimos comprados na moeda brasileira, mas preferimos utilizar de uma estrutura de opções para gerenciamento do risco de valorização estrutural do Dólar.

ESTRATÉGIA CRÉDITO

Nossos fundos voltaram a apresentar rentabilidade acima do objetivo de longo prazo, com destaque para os bons resultados das carteiras de debêntures e LFSNs. Continuamos com as carteiras conservadoras, com elevados níveis de caixa.
No AZ Quest Altro, destacamos o resultado do livro de inflação, diante do fechamento das curvas de juros (real e nominal), e a contribuição através das compras de ativos no mercado primário, e em menor proporção, via mercado secundário.

O mês foi mais calmo que o normal com relação a novas emissões de ativos. Analisamos apenas duas novas ofertas primárias para ambos os fundos e optamos por entrar em apenas uma delas através do bookbuilding em que fomos alocados. A liquidação financeira está prevista para março.

Na gestão do risco de crédito continuaremos com um perfil conservador, em linha com o enunciado na carta passada, mesmo após as melhoras vistas no ambiente político e em alguns dados macroeconômicos.

ESTRATÉGIA ARBITRAGEM

Nossos fundos apresentaram bom resultado, com todos eles superando seu benchmark. O Legan Low Vol voltou a apresentar bom resultado, com valorização de 0,97% (111,7% CDI). Os principais ganhos vieram das estratégias de financiamento & reversão em VALE5 e PETR4, bem como na estratégia de financiamento a termo. O AZ Legan Termo apresentou retorno de 0,87% (99,9% do CDI), resultado que foi impactado pelos custos da transferência de Administrador.