Com atraso de pouco mais de uma semana, a S&P, uma das três maiores agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a nota de crédito do Brasil de BB para BB-. Agora estamos três níveis abaixo do grau de investimentos que tínhamos conquistado com políticas coerentes. Podemos atribuir esses downgrades sucessivos à desastrada política econômica dos governos Dilma e seu ministro Guido Mantega. Que chamou de nova matriz econômica.

O pior é que muita coisa dessa gestão ainda persiste girando em nossa economia, Como a mal sucedida desoneração da folha de pagamento de empresas que consome mensalmente cerca de
R$ 7,0 bilhões, sem produzir nenhum efeito benéfico sobre a situação das empresas e melhora no nível de emprego. Aliás, o governo tenta votar faz tempo o projeto de reoneração, sem obter sucesso, pelo menos até agora.

A S&P fez o rebaixamento julgando a complacência e demora do governo em aprovar reformas, além das incertezas geradas pelo processo eleitoral. Isso mesmo considerando que houve progressos, como a aprovação do teto de gastos. Porém, a reforma da Previdência que seria o item mais importante, está cada vez mais distante e sofrendo de anorexia. Mesmo emagrecida pode não haver clima para aprovação, função do processo eleitoral acelerado nesse final/início de ano, mesmo sem considerar os prazos para candidatura que termina somente em abril.

O fato de a S&P ter saído na frente pode estar indicando que outras agências como Moody’s e Fitch podem seguir na mesma direção, o que certamente tornaria ainda mais distante a volta ao grau de investimento, já projetado em cerca de cinco anos. Depois do rebaixamento, o ministro Henrique Meirelles culpou o Congresso pelos atrasos, no que foi rebatido incontinente pelo presidente do Congresso e presidente da Câmara. Rodrigo Maia também candidatíssimo nas próximas eleições (em disputa velada com Meirelles), fez lembrar que foi perdido muito tempo com as duas denúncias do presidente Temer.

Temer por sua vez tentou e tenta colocar “panos quentes” na briga, pedindo que Meirelles fosse mais político (o que foi feito). Além de conclamar que os parlamentares votem a reforma da Previdência como prevista, em 19 de fevereiro. Porém, as informações que circulam na imprensa dão conta que mesmo com as liberações de verbas e emendas, o placar ainda está longe dos 308 votos necessários.

O ministro Meirelles no final de semana declarou que o rebaixamento feito pela S&P não impacta o crescimento econômico, mas certamente encarece e reduz o volume de recursos destinados ao país. Isso é muito importante dado que o governo precisa privatizar de forma agressiva e ampliar captações de investimento em infraestrutura. Tanto isso é verdade que a declaração seguinte do ministro da Fazenda foi no sentido de lembrar a importância de o BNDES devolver ao Tesouro os recursos previstos para 2018, no montante de R$ 130 bilhões.

Tais recursos são de enorme relevância para fechar o orçamento de 2018 com déficit fiscal de R$ 159 bilhões, conseguindo manter a regra de ouro. Aliás, as discussões antecipadas sobre mudar a regra de ouro foi mais um imbróglio que desgastou o governo do presidente Temer, juntamente com a liminar para impedir a posse de Cristiane Brasil no ministério do Trabalho, mais uma furada do governo tentando “adoçar” políticos.

Apesar de tudo, e já fazendo a ligação disso com o mercado de capitais, a maior definição vai acontecer mesmo no dia 24 de janeiro, quando o TRF-4 irá julgar em segunda instância, o ex-presidente Lula. Essa sem dúvida será uma definição para o Brasil que queremos e sinalização para os investidores em todo o mundo sobre nossos princípios de uma sociedade democrática e vontade de querer projetar o país do futuro.

O chapeleiro maluco do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll dizia que: “não é que a Rainha de Copas ache que todo mundo é idiota. É que ela só fala para súditos fiéis”.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais