Marcado para começar em 25 de agosto, o julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff promete provocar muitos ruídos.

Em princípio, a presidente confirmou presença em plenário para fazer sua defesa de viva voz, e não mais usando o ventriloquismo de seu advogado e ex-ministro.

Por tudo que seu advogado falou durante o processo e espelhado na carta aos brasileiros e senadores divulgada na semana passada por Dilma, não é de se esperar novos argumentos capazes de mudar o voto de senadores. Hoje, segundo o noticiário, o governo de Temer trabalha com a hipótese de 60 ou até 63 votos pelo impeachment, bem mais que os 54 necessários para se atingir 2/3 dos senadores.

Os ruídos ficam por conta de qual será a postura de Dilma frente aos senadores e ainda o conteúdo das perguntas que será formulado. Dilma tentará marcar posição e sair do governo de cabeça erguida, alegando não ter recebido dinheiro da corrupção e que não infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A oposição tentará justamente fazer o contrário. O presidente Lewandowski do STF terá como principal missão ordenar os trabalhos para que não tenhamos aquele show horrível proporcionado pela Câmara.

Pois bem, o que virá depois, caso Dilma seja impedida de voltar ao governo? O presidente efetivado Temer terá como missão trazer a economia novamente para o rumo correto, propondo ajustes dolorosos, buscando mais credibilidade para seu governo e país; mas para tanto terá que obter o beneplácito do Congresso nacional.

O crédito de confiança então começa no Congresso Nacional. Disso vai depender a adesão de investidores, sucesso nas concessões e privatizações, contenção de gastos públicos e tudo o mais. Temer que recuou em algumas decisões, não pode mostrar fraqueza, sob pena de a trégua concedida expirar rapidamente.

Os investimentos e desempenho dos mercados vão depender dessa atuação sem grandes máculas.