Faz tempo vínhamos alertando nossos amigos do modalmais sobre a possibilidade de o índice Bovespa ultrapassar o recorde histórico intraday obtido no final de maio de 2008. Isso aconteceu logo no início da semana (11 de setembro), e pode abrir novos horizontes para o índice. Dois fatores foram importantes para o acontecido, e encontram explicação no segmento local e internacional.

No ambiente interno, os últimos indicadores de conjuntura estão mostrando um pouco mais de consistência no curto prazo. O emprego aumentou, a inflação vem caindo e abaixo do previsto, a produção industrial melhorando e as vendas no varejo crescem.

Como bem lembrou o ministro Dyogo Oliveira, em palestra na FGV-SP, fechamos dois trimestres de expansão do PIB e, até por conta da queda de juros (quase 32% da dívida é indexada pela Selic), podemos ter solução gradual das contas públicas. A solvência fiscal melhora e a dívida tende a se estabilizar próxima de 80% do PIB.

Do lado externo, muito embora ainda convivamos com o espectro da crise política rondando a partir da Coreia do Norte e suas ameaças ao mundo, existe a crença de que são somente bravatas e não deve ampliar de dimensão. Nessa semana específica, isso ficou ainda mais claro já que nas comemorações de fundação do país, a Coreia do Norte não fez nenhuma ação agressiva.

Como temos destacado constantemente, a economia global começa a mostrar sinais mais definitivos de retomada da recuperação, o que tende a ajudar países em desenvolvimento como o Brasil que são tradicionalmente exportadores de matérias primas e semielaborados. O fato de nos apropriarmos disso certamente ajuda em nossa recuperação ainda que de forma desorganizada e desequilibrada.

Podemos citar a economia americana em franca melhora e sem precisar fazer mudanças na estrutura dos juros de forma mais acelerada, com mercado de trabalho assegurado e sem pressões salariais mais graves. Os problemas de curto prazo estão sendo resolvidos, como a elevação do teto da dívida e Trump parece mesmo que vai conseguir emplacar a redução de impostos para famílias e empresas. A produtividade nos EUA têm ampliado, sendo esse um dos maiores diferenciais de sua economia.

Na Ásia, a China cresce dentro do previsto mesmo tendo que organizar sua economia concomitantemente, e o Japão começa a retomar o processo de crescimento (PIB do segundo trimestre indica isso), ambos sem muitas pressões inflacionárias que indique a possibilidade de redução da liquidez em seus sistemas financeiros. A
Alemanha segue sendo o motor da zona do euro e, recentemente, o BCE (BC Europeu) melhorou as projeções de crescimento e reduziu as de inflação.

Coloquem tudo isso dentro daquele ambiente que temos projetado de que os gestores de recursos seguem meio vazios de ativos de renda variável ou travados por derivativos, e vemos boas possibilidades do mercado seguir formando recordes históricos seguidos, mantendo a tendência primária de alta que vem desde o final de junho.

Mas calma, vamos ter momentos de pressão vendedora não sendo absorvida pelos recursos que ingressam (zonas de recordes geram esse tipo de comportamento) e boa parte disso perde o sentido se não conseguirmos evoluir no sentido de aprovar várias reformas, ainda que não sejam do tamanho requerido pela situação de nossa economia.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais
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