Por Alvaro Bandeira – Economista-Chefe Home Broker Modalmais

O governo de Donald Trump começou do mesmo jeito daquelas ofertas de supermercados e magazines. Fazem os encartes de depois dizem conforme o prometido.

Quase ninguém acreditava que Trump manteria seus discursos de campanha com suas promessas, mas o improvável está acontecendo. Em sua primeira semana como presidente da maior nação do mundo Trump está fazendo tudo que prometeu. Falou da construção urgente do muro na fronteira com o México e pago pelos mexicanos de alguma forma, pressionou as grandes montadoras sobre instalações no exterior e aumento de tributos, etc.

Também autorizou a construção de dois oleodutos polêmicos que Barack Obama tinha bloqueado, e disse que seria feito com aço produzido no país (qualquer semelhança com políticas de Lula e Dilma não é mera semelhança), tronou-se emissário de Deus para criar empregos e prometeu acabar com o Islã. Além disso, formatou lista de países com transito impedido nos EUA, bloqueou a entrada de refugiados, cerceou imigrantes com green card, e outras providencias.

Enfim Trump está cumprindo tudo que prometeu e ainda não tem forte oposição exceto aquela vinda da população. O Congresso americano parece congelado nesse primeiro momento, dentro daquela norma não escrita de conceder 100 dias de trégua aos presidentes eleitos. Convém não esquecer que Trump foi derrubando um por um dos candidatos republicanos ao cargo e com isso criou inúmeras fissuras. Nesse momento a oposição interna do partido é baixa, mas os estragos na diplomacia internacional provocam intensos ruídos.

No Canadá, o primeiro ministro Justin Trudeau ofereceu visto temporário para imigrantes prejudicados pela decisão de Trump. Já a Alemanha e a França criticaram o bloqueio americano aos refugiados e houve caos nos aeroportos americanos nesse final de semana. Trump, ao contrário se mantém inabalável e disse que as prisões foram poucas.

Na economia suas atitudes parecem dar gás nos mercados, com intenção de crescer de forma acelerada, passando para velocidade cruzeiro de 4%, redução de impostos para empresas e classe média (de outro lado pressiona), investimentos em infraestrutura, aumento da produtividade e aparentemente dólar em queda (já disse que a moeda está cara). Já circulam boatos que a redução de impostos beneficia suas empresas.

Além disso, os especialistas apostam que o secretariado de Trump sofrerá grande rodízio, já que o voluntarismo e Trump pode ser insuportável para alguns de seus milionários secretários de estado. Porém, a preocupação de momento está centrada no FED. Sabidamente Janet Yellen não desfruta de melhores relações com o presidente, e no limite poderia pedir para sair antecipadamente, já que não é demissível pelo presidente.

De outra feita, o FED pode ter que cortar um dobrado na formatação da política monetária já que Trump parece não dar muita bola com seu discurso “populista-nacionalista” para a inflação (novamente, não é mera coincidência com Lula e Dilma). Assim, Yellen e outros membros do FOMC teriam que ser mais duros e rápidos na elevação dos juros.

Nesse momento de largas incertezas sobre o que acontecerá nos EUA e no resto do mundo, uma coisa parece verdadeira. Os mercados de risco ainda vão passar por grande volatilidade, apesar de tudo indicar um processo de recuperação lenta da economia global. Intensas dúvidas também como se comportará o comércio internacional diante dos EUA mais fechado, Brexit e China podendo ganhar mais espaço.

Parece cedo para se estimar como tudo isso ficará nos próximos meses e anos!