Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

O título foi extraído de um trecho da música “Bom Conselho” do Chico Buarque de Hollanda, que ultimamente não tem produzido exatamente bons conselhos. O mesmo vale para a performance da Bovespa que acumula alta lenta pelas últimas seis semanas de forma consecutiva, enquanto o dólar está na quinta semana seguida de queda, também lenta.

Desde 19 de junho, pouco mais de um mês e meio, quando a Bovespa iniciou caminhada de recuperação com algumas interferências curtas, saímos de cerca de 69.000 pontos para 81.800 pontos, acumulando no período algo como 18,5% de alta. Nada mal comparado ao que passamos ao longo do mês de julho no cenário internacional: com acirramento de disputas comerciais, forte volatilidade dos juros e commodities e no cenário nacional: economia parada e mostrando os estragos da greve dos caminhoneiros, com Congresso e Justiça em recesso e sem definições no campo político.

A partir dessa semana, no âmbito local a situação começar a normalizar e clarear, depois das convenções de partidos, definições de vices nas diferentes chapas, Congresso voltando e Justiça funcionando normalmente. E capaz de evitar desencontros que quase soltaram o ex-presidente Lula. Daqui até o próximo 15 de agosto, algumas coisas ainda podem mudar com o STF e STE podendo definir o destino de Lula e algumas mudanças nos registros de chapas.

No final de semana, a chapa Lula e Haddad foi confirmada pelo PT, conforme previsto, mas Haddad deve sair mesmo como cabeça, já que Lula foi pego pela ficha suja, com Manuela do PCdoB como vice. Ainda existe alguma expectativa sobre a candidatura de Alvaro Dias, que poderia reforçar o “centrão” agora liderado por Geraldo Alckmin, que em São Paulo pela primeira vez figurou na liderança de pesquisa do Ibope, quando Lula não participa.

O STF deve decidir sobre a situação de Lula, apesar da defesa querer evitar a decisão no curto prazo, querendo retirar o novo julgamento de habeas corpus. A semana inclui o primeiro debate entre candidatos à presidência na Rede Bandeirante de TV, onde não deve ser provável a presença do candidato do PT, já que não está prevista a substituição pelo vice-presidente.

No campo econômico, ainda é possível a aprovação de medidas que aliviem o ônus do próximo presidente, mas isso não deve ocorrer, já que todos estarão envolvidos nas próximas eleições e alguns completamente empenhados na reeleição, que lhes garantiria imunidade parlamentar por mais alguns anos, fugindo um pouco das garras da Lava Jato. As previsões indicam pouca renovação dos membros do Congresso. Isso sem contar que o período embute a divulgação de indicadores de conjuntura com vendas no varejo e taxa de inflação, além da ata do Copom da última reunião que pode sinalizar atitude para a próxima reunião. A safra de balanços do segundo trimestre de 2018 não deve trazer grandes consequências, já que as principais empresas já anunciaram seus resultados.

No plano internacional, o foco dos investidores vai estar nas disputas entre os EUA e a China já que os EUA preparam sobretaxas e a China já anunciou retaliações com maior taxação sobre cerca de
US$ 60 bilhões. Correndo por fora problemas também no Brexit, depois de declarações de que a saída do Reino Unido da União Europeia pode ocorrer sem acordos, dadas as duras relações. Além disso, Japão e EUA sentam para discutir relações comerciais, em reunião marcada para 09 de agosto.

Por tudo isso seguimos com a expectativa de grande volatilidade nos mercados de risco e mudanças de sinais, tanto no segmento local como internacional, mas ainda com viés de alta no cenário doméstico podendo acumular a sétima semana de alta, se nada de mais estranho acontecer, principalmente diante da ciclotimia de Trump.

Assim, fica havendo o dito original que diz que “devagar é que se não vai longe”.