Em nosso artigo anterior falamos da fuga dos investidores para a renda fixa, muito influenciada pelo cenário externo ainda difícil para recuperação econômica global, mas evoluindo positivamente, e principalmente do ambiente interno bastante negativo para a economia e todos os problemas do quadro político.

Isso, invariavelmente, agrega enorme volatilidade aos mercados de risco e acaba afastando não só os investidores mais conservadores, como deprime os mais agressivos, pois as chances de insucesso são grandes. Basta avaliar a performance dos fundos de ações e multimercados nos últimos meses que não consegue bater os retornos da renda fixa, principalmente com a escalada dos juros.

Podemos considerar que existe ainda certa decepção por perdas incorridas no mercado acionário, o que justifica o distanciamento das pessoas físicas das operações no segmento. No mês de julho, por exemplo, a participação das pessoas físicas ficou em 15% do movimento da Bovespa, enquanto os estrangeiros foram responsáveis por 51,6%. Também é possível verificar o encolhimento em julho da média diária negociada em 9,5%, e o registro do primeiro mês em 2015 de saída de recursos dos investidores estrangeiros, no montante de R$ 568 milhões.

Pois bem, se você se inclui nesse grupo de investidores que manifesta alguma desilusão com o comportamento do mercado acionário local, temos algumas considerações a fazer. Antes gostaríamos de lembrar uma frase atribuída À Napoleão Bonaparte que teria dito que “a história não fala dos covardes”. E Já que estamos fazendo citações, cabe lembrar Alexandre Graham Bell que dizia que “nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.

Tendo essas duas citações como base, penso que é hora de mudar um pouco suas aplicações e começar a avaliar posições de maior risco. Aparentemente algumas variáveis econômicas internas vão parar de piorar, ao mesmo tempo em que o mundo parece melhor adaptado para voltar a crescer de forma mais consistente. Isso sendo correto, abre espaço para o investidor arriscar mais, sempre lembrando que são aplicações para retorno no longo prazo.

Na nossa visão o momento para formar uma carteira de ações parece estar chegando, e compras progressivas podem ser recomendadas, desde que após criteriosa seleção das alternativas de aplicação. Existem empresas já equacionadas para atravessar o momento difícil da conjuntura local e que adicionalmente são competitivas no plano internacional, notadamente após a recente e forte desvalorização do real frente ao dólar. Também pode optar por montar estratégia de diversificação com a aquisição de cotas de fundos de boa gestão, deixando para as equipes a seleção dos investimentos.

Faça as contas do que eventualmente você perdeu com ações nos últimos meses ou como seu patrimônio foi reduzido, e lembre que se perdeu no mercado acionário terá que recuperar nele mesmo. É hora, portanto, de promover alterações na composição de carteira, inicialmente preferindo ações de empresas mais maduras e aos poucos migrando para posições um pouco mais agressivas.

Lembre de consultar instituições ou agentes de sua confiança para ajudar na seleção dos investimentos. Observe que não estamos falando em sair da renda fixa ou comprar tudo de uma só vez na Bovespa. Tais mudanças podem ser feitas de forma lenta, e como dissemos progressiva.

Não esqueça que investimentos de risco exigem maior acompanhamento e giro de posições. Aproveite que os mercados estão deprimidos para equacionar melhor o futuro de seus investimentos.

E já que fizemos citações, fiquem com mais uma atribuída ao mega e bem sucedido investidor Warren Buffett: “Numa crise, a combinação de dinheiro e coragem é inestimável”.

Boa sorte em seus investimentos de risco

Alvaro Bandeira