Em reunião ocorrida em seis de novembro de 2017 entre o presidente Temer, seus principais ministros e parlamentares de sua base de apoio; o presidente provocou uma ducha de água fria ao admitir que pode sofrer derrota em sua proposta de reforma da Previdência Social. A primeira constatação possível é que quem está efetivamente empenhado em realizar a reforma não admite derrota antes de começar o jogo político.

O presidente parece ter “lavado as mãos” sobre fazer uma reforma ainda que desidratada, mas com forte sinalização, para os mercados, empresários locais e investidores estrangeiros. Jogou efetivamente no colo dos parlamentares a responsabilidade pelas mudanças, o que não parece boa atitude. Quase que na mesma hora invocou as mudanças já feitas (poucas é verdade e carecendo de regulamentações) e dizendo ter outros itens na agenda.

É verdade que existem outros itens importantes passíveis de alterações, mas nenhum deles tão importante em termos de sinalização como a da Previdência. Falou sobre o projeto de lei (PL) que será encaminhado sobre a privatização da Eletrobrás, sobre teto salarial, reforma trabalhista e ainda sobre queda dos juros e inflação. Voltou ao tema da segunda denúncia rejeitada e já superada, e falou em gratidão aos parlamentares.

Em contraposição a isso, convém citar palavras expressas pelo secretário de acompanhamento econômico Mansueto de Almeida em sete de novembro, quando disse que para o crescimento não desacelerar será preciso ampliar a produtividade. Diz ainda que se a reforma da Previdência emagrecer, vai ter que ser mais dura no futuro. É exatamente por isso que seria importante encaminhar a reforma agora, ainda que não faça diferença no horizonte de curto e médio prazo.

Como o país irá lidar com o crescimento acelerado da dívida pública federal? Como faremos com o mega déficit fiscal previsto? Como faremos para ampliar o volume de investimentos hoje em ridículos 15% do PIB, se as receitas estarão cada vez mais comprometidas com as despesas correntes? Como atrair investimentos novos em infraestrutura com a economia seguindo desequilibrada?

Não será dessa forma que conseguiremos seduzir novos investimentos do setor privado local, e nem atrair investidores externos. Notem que estamos falando de investimentos novos e não de fusões e aquisições cujo efeito é bem mais limitado. Como sustentar a melhora recente da economia sem ajustar a rota de crescimento? O que foi feito até aqui não é suficiente e aconteceu algo independente da atuação do governo, exceto no que tange ao impulso finito de liberar recursos do FGTS, PIS e Pasep para consumo e redução do nível de endividamento. Passados esses efeitos voltaremos ao normal de uma economia desequilibrada e crescimento por espasmos.

Os mercados estão refletindo o pessimismo mais recente com o encaminhamento das reformas, situação claramente demonstrada na precificação dos ativos de risco, na parte visível do câmbio e das ações. Se jogarmos esse quadro um pouco mais para frente, para a sucessão presidencial, o quadro pode ser ainda mais comprometedor. Dificilmente teremos um candidato com chances de ser eleito pregando reformas duras e necessárias.

Assim, o eleitorado pode ser guindado em 2018 para propostas mais populistas, bem ao gosto dos países latino americanos, e o resultado já é sobejamente conhecido em alguns de nossos vizinhos fronteiriços.

Precisamos mudar esse jogo e o tempo para isso é curto. Devagar é que não se vai longe.