Em nossa opinião, o governo interino do presidente Michel Temer largou muito bem no que tange à área econômica. O ministro Henrique Meirelles é sabidamente um grande formador de equipes e não se fez de rogado. Trouxe nomes bem considerados em suas atividades, seja no governo ou iniciativa privada. Banco Central, BNDES, Petrobras e secretarias estão em mãos capazes de dar sequência a um projeto extremamente complicado e difícil de resolver no curtíssimo, curto, médio e longo prazo. Não só agora na largada como também nos próximos anos.

Ao mesmo tempo em que saudamos isso, somos obrigados a reconhecer alguns erros, o de acabar com ministérios, voltar um passo e reduzir novamente; assim como acabar com o ministério da Cultura e, depois de críticas de alguns poucos, rever a posição. Também tivemos desencontros como o do ministro da Justiça e alguns que sequer acabaram ministros, depois de terem sido convidados.

Além disso, muitas críticas por ter convidado pessoas implicadas em investigações do STF e PF.

Isso faz-nos lembrar de uma história (se não me engano) atribuída a Getúlio Vargas, quando alguém que queria ser ministro veio ao presidente eleito e disse: “Presidente, todos estão comentando que eu serei seu ministro”. O presidente refletiu e disse: “pois então diga que eu o convidei, mas que você não aceitou”.

Como tem acontecido em todos os últimos dias, muitas surpresas são reservadas diariamente. Nessa data não foi diferente. Os jornais de 23 de maio estamparam conversa pessoal gravada entre Romero Jucá, ministro do núcleo duro de Temer, com o ex-presidente afastado da Transpetro (Sergio Machado), falando de domar a operação Lava Jato e implicando ministros do STF e o próprio presidente Temer, que sempre foi questionado sobre apoio e continuidade da operação Lava Jato.

O ministro Jucá concedeu coletiva de imprensa e, pela voz corrente da imprensa especializada, não convenceu ao ponto de voltar a ficar forte no governo Temer. Muitos são os que dizem que seu destino foi selado como ministro e o desfecho poderia acontecer em alguns dias. Em contrapartida, políticos e ex-ministros do governo Dilma não pouparam críticas ao governo Temer e seus ministros, sempre demonstrando que a oposição será ferrenha. É o que sempre temos alertado: querer a saída de Dilma não significa apoio tácito ao governo de Temer.

Temer terá que provar pelos acertos e quase nenhum deslize para recuperar progressivamente a credibilidade com a comunidade financeira internacional, com o empresariado local e, principalmente, com a sociedade brasileira, a que em última análise é sempre a sacrificada.

Largar bem na área econômica era um dever do governo Temer. Trabalhar o lado político será essencial para aprovar o mega déficit fiscal, super DRU (Desvinculação de Receita da União) ou mesmo esboçar um arremedo de reforma da Previdência. Ocorre que o governo também errou bastante nesse início de mandato esgotando a cota. Assim como voltou atrás em decisões, poderia rever alguns convites e formar no plano político equipe semelhante em profissionalismo ao que ocorreu com a área econômica. Certamente devem existir políticos de peso, de trânsito fácil no Congresso e que não estejam sendo investigados por operação alguma.

O que não podemos é incidir nos mesmo erros do ancien régime.

Confúcio dizia que “você não pode mudar o vento, mas pode ajustar a vela”.