Na semana passada, em comentários realizados aqui no Blog chegamos a afirmar que o período tinha começado ruim para o presidente Temer com a denúncia produzida pela PGR a partir dos áudios de Joesley Batista, mas tinha terminado mais tranquila. Tanto isso era verdade, que o presidente Temer voltou a confirmar sua participação na reunião de cúpula do G-20, o que acabou acontecendo.

Temer viajou e assim que pôs os pés fora do território nacional a situação se inverteu. Aparentemente, alguns políticos de expressão decidiram selar os destinos do presidente. O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, declarou a “ingovernabilidade” do país em mãos de Temer, e logo em seguida foi a vez de Cássio Cunha Lima ir na mesma direção.

É bom acrescentar em tudo isso que o virtual sucessor de Temer, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, prudentemente tinha se ausentado do país para reuniões, e a presidência do Brasil acabou nas mãos do presidente do Senado, Eunício Oliveira.

No último dia útil da semana, Rodrigo Maia deu declarações pedindo prudência em todo o processo político para ajudar o Brasil a sair da crise. Até aqui, a única voz discordante foi do ministro Aloysio Nunes que está viajando com Temer. E é uma das figuras influentes do PSDB. Mas o acirramento da situação ocorreu por conta do acerto firmado de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, que em tese, desmantelaria uma vertente da corrupção que incluiria o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha e o próprio presidente.

Segundo comentários na imprensa, por mais que seja negado, Eduardo Cunha estaria negociando delação premiada. Isso ficou mais evidente quando Sérgio Moro absolveu a esposa de Cunha, que em tese seria parte da negociação da delação. Como nas delações só são aceitos fatos novos, Eduardo Cunha implicaria ainda mais o presidente Temer. Como Cunha é escolado em tudo sobre corrupção, provavelmente teriam dossiê com provas contundentes.

Notem que tudo isso são suposições veladas, mas narradas dessa forma fazem total sentido. Sabedores disso e de posse delas análises, os políticos já estariam preparando desembarques de partidos da base do governo e falando de forma bem mais clara sobre a saída do presidente. Para colocar um pouco mais de pimenta na narrativa, Temer teria perdido seu capital político e não teria nenhum apoio da sociedade, como consta das pesquisas realizadas por institutos. Faltava somente um nome para colocar no lugar.

Rodrigo Maia seria esse nome de transição e manteria todos os quadros e projetos da área econômica, viabilizando reformas absolutamente necessárias para colocar a economia no rumo correto e de forma menos sofrida que o presidente Temer. Assumindo com tais diretrizes, Rodrigo Maia tranquilizaria os mercados, os empresários e investidores; além de agilizar reformas essenciais.

Ocorre que o sucessor de Temer também é investigado e as dúvidas que pairam são se as baterias de fogo amigo e inimigo não se voltariam imediatamente para ele. Somente um acordo não tão republicano seria capaz de eximir Maia disso, e estaria muito provavelmente em esvaziar mais um pouco a operação Lava Jato e seus filhotes. Deixando de punir outros culpados e envolvidos com a corrupção.

Nem isso seria inédito. Situação análoga aconteceu com a operação “Mãos Limpas” na Itália, quando começou a se aproximar de políticos e partidos mais influentes. É só comparar como está a Itália no contexto da economia da Europa.

Repetimos: são só histórias e suposições de analistas políticos.

O mês de julho parece crucial para ver se há algum fundamento em tudo isso, e a história nas próximas décadas acabará por registrar esse momento do Brasil.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais