protesto

Diz o antigo ditado que “Ano Novo, Vida Nova”. Ledo engano, o calendário gregoriano não tem nada com a quebra da continuidade de nossas vidas, especialmente para quem habita o planeta terra e está baseado abaixo da linha do Equador, num país chamado Brasil.

Vamos virar a página de 2015, e o ano de 2016 pode ainda ser tão ou pior quanto foi o ano que está indo embora. Vamos começar com muitas especulações sobre o que será a gestão do novo ministro da Fazenda Nelson Barbosa no que tange à política econômica. Barbosa seguirá a diretriz traçada por seu antecessor Joaquim Levy, tocada de forma diferenciada (senão não haveria razão para mudança, mesmo com Levy completamente desgastado), ou vamos voltar com a ideia da nova matriz econômica, ou vamos por uma terceira via desconhecida de todos?

Será que Barbosa terá o apoio da presidente Dilma para fazer as mudanças necessárias que o antecessor Levy não conseguiu fazer, ou será seduzida pela via fácil de explorar o consumo com crédito farto e dólar forte para que sua coalisão ganhe as eleições de 2016, preparatórias da eleição majoritária de 2018?

Essas são leituras que os economistas e agentes do mercado estão querendo apurar para tomarem suas decisões de investimento no início de 2016. Nesse contexto, os juros básicos vão seguir subindo para domar a inflação ou vão cair para acelerar o consumo, abandonando novamente a meta de inflação? E como fica o câmbio? Vai seguir em alta para explorar a vertente da balança comercial (a mais factível no momento) e tentar fortalecer investimentos, ou vai patinar por aí para não detonar ainda mais a inflação. Nesse momento revendo toda a situação do país, inclusive com os ruídos da corrupção, o câmbio ainda parece abaixo do necessário.

Será que o governo conseguirá fazer o déficit recém aprovado para 2015, ou vai conseguir extrapolar ainda mais? Vai conseguir fazer a risível meta de superávit de 0,48% do PIB em 2016, ou vamos ter mais um ano de déficit, com a dívida bruta batendo acima dos 70% do PIB? Vamos tentar reformar a Previdência e a legislação trabalhista, ambas fundamentais, ou não vamos ter nenhuma?

Novamente vamos fazer uso da via fácil de tentar o “voo de galinha”, ou vamos encarar nossos problemas mais urgentes, independente de olhar para as próximas eleições?

Essas e tantas outras questões é que vão determinar para onde os recursos deverão fluir. Vamos ter impeachment da presidente Dilma e condenação do presidente da Câmara? Vamos migrar para o semiparlamentarismo, ou ficar com a presidente isolada por mais três anos? Diante disso, qual a perspectiva de setores fundamentais como energia, siderurgia e mineração? E outros como bens de capital e até varejo? Como o setor bancários conviverá com a inadimplência crescente, especialmente nos bancos públicos?

Mais que isso. O que acontecerá com as empresas brasileiras endividadas em moeda forte? Só para lembrar, como ficará a Petrobras com seu endividamento de mais de R$ 500 bilhões sendo quase 75% em moeda forte? E o setor de óleo & gás quase destruído?

Já que nos enveredamos por aí, como ficam Estados e Municípios quebrados e ameaçando inadimplir com a União? Que tipo de socorro poderá a União fornecer? Teremos por aqui fusões e aquisições de investidores no exterior? Haverá confiança suficiente no Brasil e em seu governo para isso?

Como se pode ver temos um sem número de perguntas e nenhuma resposta mais objetiva. Daí deriva a crença de que o melhor por fazer é proteger suas operações, até que alguma definição ou linha mestra comece a surgir. Lamentamos que o horizonte esteja cada vez mais turvo e as perspectivas cada vez mais distante.

Porém, nem tudo está perdido. Haverá um momento propício ao aumento do risco e a possibilidade de ganhos extraordinários pode se abrir. Como parece ter dito Napoleão Bonaparte: “a história não fala dos covardes”.

O Ruim é que vamos começar 2016 do mesmo jeito que terminamos 2015. Então:

FELIZ ANO VELHO PARA TODOS!!