Lá se vão muitos meses que os investidores estão dando preferencia por aplicar seus recursos em renda fixa do que correr riscos em aplicações de renda variável. De forma empírica ou não esse parece ser o movimento mais correto dos investidores. Podemos considerar ainda que a outra depuração nas aplicações: os investidores estão deixando a simplicidade de aplicação na poupança, dado os baixos retornos produzidos, principalmente após nova alta das taxas de juros.

Outra situação que tem levado os investidores a dirigirem seus recursos para renda fixa tem muito com a performance dos fundos. Não é de hoje que fundos de ações e multimercados estão performando mal. Estamos indo para o segundo ano em que isso acontece, muito em função da volatilidade dos mercados e movimentos de baixa consistência no curtíssimo prazo. Isso certamente afasta os investidores.

Isso para não falar do mercado secundário de ações que recentemente engoliu toda alta já conquistada nesse ano de 2015, além das dificuldades de selecionar opções de investimento num ambiente complicado e mutante para a economia. Para os aplicadores de curto prazo nesse segmento do mercado ainda há as bruscas mudanças de sinais intra e entre pregões e a competição com mecanismo de robots e ordem de alta frequência disparadas por gestores de fundos.

A fuga para renda fixa então parece ser o caminho natural diante das idiossincrasias dos mercados e de nossa economia, fracos retornos das carteiras e bruscas mudanças nos mercados locais e internacional. Economias querendo melhorar, mas ainda patinando indicam que seguiremos com baixa consistência de comportamento dos mercados.

Ocorre que mesmo nas aplicações de renda fixa é preciso ter cuidado e observar algumas regras básicas:

– é preciso ter claro qual o horizonte temporal de sua aplicação. Algumas opções de investimento não podem ser resgatadas antecipadamente ou contam com um “penalty” na hipótese de antecipar. Assim, há que se dimensionar por quanto tempo os recursos podem ser imobilizados;

– a escolha do ativo também é fundamental. Mesmo as aplicações no segmento do Tesouro Direto reservam surpresas. A aquisição de um titulo levado para resgate dará o retorno contratado na origem. Porém, se o aplicador vender antes do prazo final, pode até ter prejuízo;

– comprar titulo prefixado ou pós? No estágio atual as aplicações pós-fixadas parecem mais atraentes pois as taxas de juros estão em alta. Haverá um momento em que você terá que rever essa preferencia, e esse momento será quando as taxas começarem amostrar tendência de queda. Aí, os títulos prefixados e de vencimento mais longo podem ficar mais atraentes;

– A escolha de fundos de renda fixa também deve observar alguns cuidados. É fundamental verificar os custos cobrados aos investidores em termos de taxa de administração. Existem fundos que chegam a cobrar mais de 4% ao ano nesses fundos, quando deveriam estar cobrando taxas inferiores a 0,5% ao ano. Não se iluda com sorteios de casas ou carros aos investidores desse ou aquele fundo. Verifique também sobre o numero de dias necessários para que os recursos estejam na sua conta;

– note também que existe tributação no resgate, e em outros fundos o tal “come quotas”. Quando mais tempo os recursos ficarem sem movimentação, menor será a tributação.

Resumindo, mesmo nas aplicações de renda fixa será preciso acompanhar de perto seus investimentos e observar tais regras. No momento , como “campeões de audiência” na preferencia dos investidores surgem as LCIs e LCAs, com taxas de retorno mais próximas do CDIs, sem imposto de renda e com garantia até R$ 250 mil do FGC. Os CDBs também ficaram mais competitivos e começa a despontar os CRAs (certificado de recebíveis agropecuários) também isentos de tributações. Outro titulo que pode despontar serão as debêntures de infraestrutura.

Bons investimentos!