Os investidores institucionais que obviamente têm que ter uma visão de mais longo prazo para seus investimentos já traçam cenários possíveis para o próximo ano. Sem ter ainda visão do que pode acontecer nas próximas eleições, tanto quanto ao presidente eleito, como renovação do Congresso Nacional; buscam algum estresse nos indicadores.

Assim, sob estresse as projeções vão surgindo. Já há quem fale que em condições extremas poderíamos pensar na taxa cambial próxima de R$ 5,30. Em condições normais de pressão e temperatura estaria congelada próxima de R$ 3,50. Detalhe é que a pesquisa Focus do Bacen trabalha com dólar no final de 2019 em R$ 3,50. O mesmo ocorre em relação a taxa Selic, com instituições projetando em caso extremo algo ao redor de 13%, e na hipótese abrandada, algo como 7,0%. A mesma pesquisa Focus recente indica Selic em 2019 de 8,0%.

Como se vê, pouco adiantam esses cenários em termos de posicionamento dos investimentos. É como se diz: spread de jacaré. Entre R$ 3,50 e R$ 5,30 para o dólar existe enorme gama de alternativas. O mesmo ocorre com a taxa Selic em 7,0% ou 13,0%. Basta lembrar que entre o céu e o inferno existem muitas outras opções.

De nossa parte acreditamos que não importa o candidato que será eleito no final do ano. Ele não terá muitas alternativas, além de tentar ajustar a economia. Mesmo com um candidato populista ganhando as eleições não haveria margem de manobra. Afinal, está em vigência o limite do teto de gastos (graças a Deus) e a Lei de Responsabilidade Fiscal, agora menos afeita a maquiagens como no governo Dilma. A sociedade já conhece os custos e vai cobrar.

Portanto, as portas estão fechadas aos gastos públicos e a perseguição de expansão da economia em autêntico voo de galinha, como foi feito no último ano do governo Lula, quando o PIB cresceu mais de 7%. Não custa lembrar os desacertos do governo Dilma com PIB estagnado, e depois duas recessões nunca vista na história econômica do país de mais de 3,0%.

O próximo presidente não tem alternativa. Com mais ou menos sofrimento terá que produzir reformas e ajustes na economia, e é bom que faça isso o mais rapidamente possível, já que existe aquela trégua inicial do Congresso e da população de aceitar nos primeiros seis meses de governo quase tudo que queira fazer. E é claro que terá que começar pela reforma da Previdência e equilíbrio de benefícios entre o setor público e privado. Pode até não fazer a reforma ideal, mas terá que caminhar nessa direção.

Não pode fugir ainda da reforma Tributária para ampliar a competitividade do país e atrair investimentos externos absolutamente requeridos. Vai ter que atuar também na reforma Política e mexer com o vespeiro do Congresso Nacional. Para isso, seria oportuno que houvesse renovação nas duas casas para reduzir o vício de parlamentares antigos encastelados no poder.

Ou seja, nesse momento não é de se esperar que candidatos se comprometam claramente com reformas, principalmente a da Previdência, pois essa mexe diretamente com o bolso dos contribuintes e quanto a isso é compreensível a ojeriza. Pode-se mexer com tudo, desde que não seja comigo ou com os meus. Vamos combinar que isso não existe.

Não adianta então traçar cenários beirando a catástrofe, pois isso não acontecerá. Felizmente não haverá espaço e nem para voos de galinha que levem ao caos no momento seguinte. Podemos até não ter um bom governo, um governo de sucessivos sustos e um governante inábil; mas o Brasil já conhece e não deixa espaço para governantes irresponsáveis, que seria novamente sacado, como foram Collor e Dilma.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais