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O ataque terrorista realizado em Paris no último dia 13/11 foi mais uma agressão a humanidade, depois de tantos outros já praticados pelo EI – Estado Islâmico, inclusive com destruição de monumentos históricos. Não é por outra razão que os jornais do mundo declararam guerra das nações contra o EI e foram intensificados os ataques em posições controladas. Além disso, o EI indica que fará atentados na Austrália, EUA, Canadá, Bélgica entre outros países.

A reunião que ocorre do G-20 e a comoção em todo o mundo parece ser momento importante para que se adote posições mais duras. Segundo o Papa Francisco, quem em nome de Deus pratica tamanha barbárie, não merece qualquer crédito.

Isso posto, é claro que nos próximos dias teremos a exata dimensão das represálias adotadas pelo mundo. Porém, parece claro que o endurecimento é inevitável, mas também muito complicado.

Pode haver retrocesso na aceitação de imigrantes fugidos da Síria e outros países para a Europa, e alguns já se antecipam fechando fronteiras. A triagem mais dura na imigração será levada a termo para evitar infiltração de terroristas treinados e a Europa pode ter repentes xenófobos. Complica a situação o fato de alguns membros recrutados serem cidadãos franceses e de outras nacionalidades. Além disso, o fechamento das fronteiras vai gerar maior facilidade de recrutamento.

Pois bem, claramente isso acabará por envolver as economias da região e o comércio internacional, e é nisso que gostaríamos de focar. O endurecimento de posturas deve prejudicar o processo de recuperação das economias da União Europeia e zona do euro, com a criação de dificuldades. Nesse ponto lembramos que o BCE (BC Europeu) vem sistematicamente dizendo que pode voltar a flexibilizar a política monetária.

Se o BCE precisava de um bom motivo, certamente aí está um. Se já vislumbrava a possibilidade de voltar a atuar, essa possibilidade ficou ainda mais real. Daí podemos estimar taxa ainda mais negativa para depósito na instituição (hoje em -0,20%), maior agressividade no programa de compras de ativos, e/ou extensão do programa que iria até setembro de 2016 com aquisições de 1,1 trilhão de euros em ativos.

Mudando de continente e indo para os EUA, quadro semelhante pode ser desenhado. Os EUA vinham dizendo que a desaceleração chinesa não estava afetando a economia, mas agora o quadro piorou mais um pouco. Já na semana passada, indicadores de conjuntura mais fracos como deflação nos preços no atacado (PPI) de 0,4% em outubro e vendas no varejo expandindo 0,1%, já tinham dado força para os argumentos de membros do FOMC do FED que desejam aumentos somente em 2016. Agora com dificuldades maiores ao comércio internacional, talvez o FED tenha melhores argumentos para postergar além de dezembro o aumento da taxa básica de juros.

Apesar disso, alertamos que até aqui ainda parece mais correto projetar aumento na reunião do FOMC do FED de 16/12. Mesmo nessa situação não haveria maiores problemas, já que os mercados de risco parecem ajustados para tal, depois de tanta expectativa ao longo dos últimos meses.

Ocorre que a reação dos mercados pós ataques terroristas em Paris apontam nessa direção. A abertura tranquila do câmbio, juros e bolsas em 16/11, indica que os mercados estão se permitindo fazer releitura mais positiva para atuação de bancos centrais e assim aliviando um pouco as tensões. Contudo, isso é só uma releitura possível, já que os próximos dias dirão os caminhos a serem seguidos pelas nações.

Fiquemos então com Mário Quintana que dizia “O passado não reconhece seu lugar. Ele está sempre presente”.

Alvaro Bandeira

Economista-Chefe Home Broker Modalmais