Muita coisa para observar e principalmente para decidir, quando tratamos de investimentos de risco nesses dias que correm. Isso vale tanto para o segmento internacional, como para o ambiente local.

No segmento internacional, preocupa o acirramento das disputas comerciais que ganhou novos contornos na última semana. A França de Macron diz que o comércio internacional não pode se basear na “lei da selva”, e que não vai negociar com os EUA enquanto as tarifas sobre aço e alumínio estiverem em vigor. Posição dura da Alemanha de Merkel envolvendo a indústria automotiva, e segundo linha de argumentação ferindo normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Aliás, não são poucos os países que ingressaram na OMC questionando a atitude americana. A China ingressou e ainda culpa os EUA, vias assessores de Trump, pelos impasses nas negociações. Já Shinzo Abe, primeiro ministro do Japão, disse ter pessoalmente pedido que Trump volte atrás na sua decisão de sobretaxar. A União Europeia parece agora um pouco mais flexível para negociar, mas se diz pronta para retaliar caso a situação não mude.

Junto ainda podemos colocar os vizinhos Canadá e México com o acordo do Nafta paralisado, mas com chances de ser renegociado, a partir da eleição do novo presidente mexicano Lopez Obrador. Dos EUA, nenhuma grande sinalização positiva sobre o aumento de tributação. É bem verdade que depende do humor de Trump e suas atitudes via redes sociais. Mas seus assessores seguem dizendo que a situação não muda e Trump já disse que pode fazer valer sobretaxas para a totalidade das exportações de US$ 505 bilhões. Além disso, Trump ainda ameaça empresas como Harley Davidson e Amazon, enquanto diz que a União Europeia está retaliando os EUA, quando impôs multa bilionária ao Google.

De nossa parte já temos dito que no curto prazo pode até ser positivo para alguns países emergentes, com mudança nos fluxos de comércio de matérias primas e semielaborados. Ocorre que no médio e longo prazo o resultado é que todos acabam perdendo, já que a tendência seria de arrefecimento do crescimento global, justo numa época em que a economia vinha recuperando e bancos centrais se preparavam para dar início a normalização da política monetária.

Do lado interno, a greve dos caminhoneiros aflorou a perspectiva de maior risco não só pela dependência do modal rodoviário, mas sobretudo pelos improvisos das negociações, ainda com grandes pendências desde o mês de maio. Certamente os números de vendas no varejo e produção industrial vão recuperar a partir de julho, depois de serem seriamente afetados, mas o comprometimento do PIB do segundo semestre já está dado. Porém esse não é o pior dos males a serem observados.

Citamos especificamente a farra dos políticos aprovando gastos nas vésperas do recesso parlamentar. Se já estava difícil fechar o orçamento de 2019 e não ferir a regra de ouro, agora ficou muito mais complicado. Mas que isso, as eleições majoritárias acendem discussões importantes e situações que vão estressar os investidores ainda por um bom tempo. Lembramos que economistas de diferentes candidatos estão convergindo para tributar dividendos recebidos pelos acionistas sem explicitar como, ao mesmo tempo em que pretende reduzir a carga das empresas. Uma coisa deve ser destacada: hoje os investidores estrangeiros não são tributados no Brasil, assim como algumas outras instituições como findos de pensão. Como ficaria isso.

Outros candidatos falam em usar nossas reservas internacionais para capitalizar o BNDES (?) e com isso ampliar a interferência do Estado. Parece pouco lógico por diversas razões, mas foi dito. Quanto à reforma da Previdência, parece ser uma situação que presidente eleito não poderá fugir, mas as diretrizes estão em aberto. Nesse momento cinco candidatos já foram oficializados por seus partidos, mas não conhecemos quase nada de suas propostas para a economia, reformas estruturantes e aumento da produtividade e competitividade.

Apesar de todas essas complicações e até por isso, o momento pode ser oportuno para ampliar risco, de acordo com suas avaliações. Em épocas de mercados desequilibrados é que surgem as melhores alternativas de lucros.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais