Existe alguma coisa de estranha entre os discursos proferidos pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma durante a última semana, quando cotejados com a prática. O ex-presidente Lula retirou a culpa de Dilma pelos insucessos de nossa economia, novamente atribuindo à crise externa todos os malfeitos ocorridos. Segundo ele, a mãe dos brasileiros erra como qualquer outra mãe. Ocorre que os brasileiros precisam de um presidente administrando o país com competência e bom entendimento entre os três poderes.

A presidente Dilma e seu ministro da fazenda da época erram sim na formatação da política econômica no primeiro mandato, insistiram no erro e ganharam direito legal ao segundo mandato, sem admitir que tínhamos uma crise instalada, e ela já não era mais fruto da desaceleração da economia global. Os países desenvolvidos já estavam em recuperação desde 2014.

A presidente Dilma também fez discursos inflamados e populistas em eventos com movimentos sociais em Brasília. Sempre citando seu passado de lutas para justificar que não deixará o governo, já falando da situação grave de nossa economia, mas afirmando que os ajustes serão curtos. Novamente isso não condiz com a realidade do país.

Os ajustes que o ministro Levy precisa fazer são apenas os iniciais devendo ter continuidade para reposicionar a economia no rumo certo. Igualmente a crise não será curta e o crescimento virá logo. Não crescemos nada em 2014. Vamos observar contração do PIB em 2015 provavelmente superior a 2%, e esse caminho será trilhado novamente em 2016. Alguma luz somente em 2017, e assim mesmo se os ajustes forem feitos na velocidade e profundidade requerida.

A presidente também fala para os movimentos sociais em manter investimentos em programas para populações pobres e até amplia-los, mas sabe que não terá os recursos para tal. Fala em Pátria Educadora e verbas vindas do pré-sal, mas conhece a dura realidade dos preços do petróleo em queda. Fala que o marco regulatório do setor de óleo e gás será mantido, e que a exigência de conteúdo nacional será preservada; mas sabe que nem a Petrobras consegue cumprir essa lei.

Estende a mão aos movimentos sociais, ouve silente o discurso do presidente da CUT de pegar em armas e usar trincheiras, mas mostra alinhamento e elogia o projeto Brasil reempacotado pelo presidente do senado Renan Calheiros que não se coaduna com os pleitos desses movimentos.

De uma coisa temos certeza: isso não dará sustento ao aumento da governabilidade do país e união de todos diante de propósito comum. O início de tudo está na admissão dos erros pretéritos, seguido de esclarecimentos realistas à população da real situação do país e, depois, pedindo apoio e esforço de todos em prol do bem comum. Por sua vez, o governo te4m minimamente que fazer a sua parte reduzindo gastos e sinalizando que também ele está cortando na carne, ao invés de elevar carga tributária.

Santo Agostinho lembrava: “Sê humilde para evitar o orgulho , mas voa alto para alcançar a sabedoria”.

Alvaro Bandeira