Quem nos acompanha em nossos comentários diários e artigos publicados nesse espaço sabe que não é de agora que temos projetado alta nos mercados de risco. Especialmente na B3, a nossa Bovespa. Chegamos mesmo a estimar que fecharíamos o ano de 2017 próximo ou em novo recorde histórico de pontos para o Ibovespa. Erramos somente em dois pregões, já que na sessão de 03 de janeiro, o índice registrou recorde de pontos.

Pois bem, pouco antes da virada do ano e nos pregões iniciais de 2018, a B3 manteve boa alta, formatando sequência de 10 pregões seguidos (até 05 de janeiro) com boa movimentação dos investidores. É bem verdade que os mercados no exterior respaldaram essa alta. Os índices do mercado americano (Dow Jones, Nasdaq e S&P) bateram sucessivos recordes históricos com o Dow Jones vazando 25000 pontos e Nasdaq ultrapassando 7000 pontos.

No Brasil não foi diferente e saímos de cerca de 72600 pontos diretamente para o recorde acima de 79100 pontos. Com bela ajuda das ações de maior liquidez (Itaú, Petrobras e Vale, outros coadjuvantes). Ajudou não só o comportamento de algumas commodities no mercado internacional (petróleo, minério e produtos siderúrgicos), como Petrobras fechou acordo para acabar com ação desenvolvida por acionistas no exterior (Class Action), pagando US$ 2,95 bilhões, em três parcelas anuais. Apesar do valor elevado da indenização pelos assaltos da Lava Jato, ainda assim era estimado valor maior. Se considerada a geração de caixa projetada para a companhia nos próximos anos, o desembolso não seria assim tão importante.

Reforçamos que esse rali de preços dos ativos ocorreu em todos os principais mercados do mundo. Já falamos dos recordes registrados nos EUA, mas citamos o índice Nikkei (bolsa de Tóquio no maior nível desde janeiro de 1992), Hong Kong (Hang Seng) ou mesmo a bolsa de Mumbai na Índia; também em recorde. A pergunta que não quer calar: e por que isto estaria acontecendo?

É nossa percepção que o “pano de fundo” desse processo de alta mundial está respaldado na expectativa dos investidores em relação à recuperação global das economias e certa redução do risco geopolítico. Temos dito constantemente em comentários que não vemos problemas na recuperação econômica global dos principais países desenvolvidos e alguns importantes emergentes. Apesar disso, identificamos alguns riscos geopolíticos, o principal deles relacionado com a Coreia do Norte e sua atitude belicista e programa nuclear. Porém, até isso tem ajudado no curto prazo.

A Coreia do Norte aceitou dialogar com a Coreia do Sul, e a Coreia do Sul que tinha exercícios bélicos programados com os EUA decidiram adiar para depois das olimpíadas de inverno. Permanece ainda os riscos com Irã e Palestina, mas esses subsistem já por bastante tempo e não parecer ter solução de curto prazo. Há certamente os twitters de Donald Trump, mas tudo isso parece suavizado na virada do ano de 2018.

Esse cenário, junto com o reposicionamento das carteiras de investidores no mundo, parece ter estimulado ainda mais o rali nos diferentes mercados de risco. A virada do ano sempre agrega maior risco nas aplicações, na medida em que eventuais erros cometidos podem ser revertidos no correr do ano. Já mirando no segmento local, podemos considerar que os investidores estavam meios vazios de aplicações de risco e decidiram assumir maior proporção. Isso é válido para os fundos de pensão que devem ter tido melhores resultados no ano que terminou, cumprindo planos atuariais e buscam maior exposição ao risco para tentar reduzir o não cumprimento nos anos passados de recessão.

Apesar de acharmos que o movimento desses primeiros dias do ano tem respaldo para continuar, gostaríamos de alertar que o fluxo de recursos canalizado para o mercado de ações tem que permanecer e ampliar, já que será preciso absorver realizações de lucro de curto prazo de investidores que anteciparam compras. Assim, prevemos ainda muita volatilidade e realizações de lucros não tão bem absorvidas, mas a tendência primária deve persistir de alta.

Vale a apostar em ampliar riscos, mas faça isso com ações de bom conteúdo fundamentalista e de acordo com sua propensão ao risco. Seria bom consultar especialistas, e nos colocamos à disposição para sanar dúvidas. Consulte o modalmais.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais