Na prática, começamos a semana com o Congresso em recesso. Apesar do dia 17 de julho ser dia útil para o parlamento. A debandada de políticos de Brasília foi quase geral, depois da aprovação da LDO do orçamento de 2018 e rejeição da denúncia contra o presidente Temer na CCJ, seguida do adiamento de votação na plenária.

Segundo o cronograma mais recente, a leitura do novo relator, Abi Ackel, será feita em 01 de agosto, seguida de votação no plenário da câmara em 02 de agosto.

Ocorre que agora o presidente Temer não tem mais pressa de votação em plenária e, aparentemente, nem a situação ou a oposição têm como colocar 342 votantes para aprovar a denúncia ou rejeitar. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também declarou que deve colocar na pauta diária das atividades, até que o quórum mínimo seja atingido.

Desconsiderando que quase todos os dias temos mudanças no andamento da questão, poderíamos ter mais demora ainda para votação pela Câmara. O presidente Temer deve utilizar esse tempo disponível de 15 dias de recesso para buscar solidificar sua posição e isso inclui contatos e liberações (segundo a oposição já foram liberados recursos de R$ 15 bilhões) de verbas , emendas e outras; com o ministério do Planejamento dizendo que todas estavam respaldadas na constituição.

O presidente Temer segue correndo risco já que o MP segue trabalhando provas e discutindo delações. O risco é de haver surpresas nessa área, com anúncio de delações (Cunha, Palocci e Funaro estariam próximos disso), ou que surja nova denúncia contra Temer já no exercício do cargo de presidente. Isso certamente, colocaria mais lenha na fervura e poderia promover defecções na base de apoio, mesmo considerando eventuais benesses distribuídas.

De outra feita, como temos lembrado em nossos comentários, na semana passada o governo conseguiu tirar um pouco do foco a crise política, criando extensa agenda (durou toda semana) positiva da área econômica. Só para lembrar, tivemos liberação de recurso para o Plano Safra, regularização fundiária, recursos para a Saúde
(R$ 1,7 bilhão), votação da LDO de 2018 e, finalmente, a aprovação e sanção da reforma trabalhista. Vai ser difícil o governo manter agenda semelhante para as próximas semanas ou mesmo coletar dados de conjuntura que indique (como tem sido propagandeado) que a economia não tem mais riscos de recessão mostrando consistência de melhora.

Para tudo isso ainda é bem cedo!

A crise não foi embora, mas deve dar um tempo. Com isso, os mercados (e o próprio governo) podem ter espaço para alguma recuperação de curto prazo, aliviando tensões. Porém, no início de agosto a promessa é que volte novamente forte, gerando instabilidade e inconsistência de movimentos nos mercados de risco do Brasil. Bom que as bolsas americanas seguem batendo sucessivos recordes, mesmo considerando que o FED pode começar a reduzir o tamanho de seu balanço já a partir do mês de outubro, de forma bem gradual. Isso não deve afetar muito a liquidez internacional e o fluxo de recursos para emergentes.

Tentando resumir o pensamento dos agentes dos mercados, diríamos que não importa muito quem comande o País e sim que seja alguém comprometido com as reformas e que mantenha a atual equipe econômica. Com essa vertente, os mercados ainda teriam espaço para novas recuperações.

A situação é de esperar para comprovar o quão estávamos certos, diante de um cenário que tem muitas variáveis e que mudam a cada momento.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais