A semana parece ser crucial para definição da conjuntura econômica e mercados no curto e médio prazo. Ela embute a votação da segunda denúncia contra o presidente Temer no plenário da Câmara. E ainda a decisão do Copom sobre política monetária (ambas em 25 de outubro), com algumas dúvidas de comportamento. Com relação à segunda denúncia, não é de se esperar nenhuma surpresa e a denúncia da PGR deve ser novamente rejeitada, com o relatório do deputado Bonifácio de Andrada sendo aprovado. Ocorre que a votação esperada deve ser inferior à da primeira denúncia, dada que o dinheiro do governo está curto para acatar emendas de deputados e alguns acordos deixaram de serem cumpridos.

Alguns partidos estão se movimentando junto ao STF (como o PC do B) para fracionar a denúncia, contrariando o rito interposto pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de votar o conjunto. As alegações partem que Temer foi denunciado por formação de quadrilha e obstrução de justiça, enquanto Moreira Franco e Eliseu Padilha foram denunciados por formação de quadrilha.

Sem expectativas de surpresas na votação, o presidente Temer não será afastado pelos seis meses regulamentares nem seus ministros, apesar das declarações anteriores de Temer que afastaria ministros denunciados. Se passar é fase complicada da história política do Brasil, o mais importante passa a ser a atitude do governo em relação às reformas.

Será fundamental que o governo se posicione agressivamente sobre reformas, especialmente a da previdência e ajustes na política tributária. Porém, será difícil aprovar alo substantivo, dado que o Congresso está dividido, o prazo para implementar começa a exaurir com a proximidade de eleições majoritárias e reformas duras nunca venceram eleições.

De qualquer forma, será positivo que o governo dê o tom agressivo sobre reformas. O ministro Meirelles precisa disso, os demais ministros da área econômica também e, principalmente, os bons técnicos que trabalham para o governo e deixaram suas “impressões digitais” grifadas no empenho do governo. O perigo, como temos ressaltado em nossos comentários, está exatamente na melhora de curto prazo dos indicadores de conjuntura gerando a possibilidade do governo relaxar nas reformas.

Nesse aspecto, podemos citar declarações recentes do presidente do Bacen, Ilan Goldfajn, da secretária do Tesouro, Ana Paula, do secretário Mansueto de Almeida e dos ministros Meirelles e Dyogo Oliveira; todos unânimes em pleitearem reformas estruturais importantes. Essa talvez seja a maior garantia para se tentar reformas. Mas não é garantia de mais agressividade na condução do processo.

Outra boa indicação vem do presidente da Câmara, certamente visando ganhos políticos, que quer ser reconhecido como tendo dirigido as reformas. Rodrigo Maia tem grande ambição política e idade para esperar um pouco mais para que tal aconteça. Maia colado com Temer pode ser de boa valia e ajudaria com a máquina governamental trabalhando a seu favor. Curto circuito entre Temer e Maia só irá atrapalhar os dois lados e, por via de consequência, atrapalhando também a condução da política econômica.

Falando agora da decisão do Copom, a expectativa mediana é de queda da taxa Selic em 0,75%, podendo surpreender positivamente com queda de 1,0%. Com isso, a taxa Selic iria para algo como 7,50%, podendo encerrar o ano de 2017 na faixa de 7,0% ou até um pouco mais baixa. A taxa de juros ex-ante está em algo como 3,25%, só perdendo para o período de ficção do governo Dilma quando foi baixada na “marra”.

Os mercados irão reagir a isso e torcemos para que seja no sentido positivo, abrindo espaço para a B3 retomar o processo de alta.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais