Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

A semana será bem curta, mas nem por isso menos emocionante. Começamos a semana com feriado americano, onde os mercados em todo o mundo perdem liquidez e o referencial de preços dos ativos. Vamos terminar a semana com o feriado no Brasil de 7 de Setembro. Portanto, no cenário local, vamos ficar praticamente restrito a três dias de mercados normais.

No exterior, a pressão sobre emergentes vai continuar, com agravantes sobre países desenvolvidos. O Canadá ainda não fechou o acordo do NAFTA com EUA e México, e isso deixa o setor automotivo prejudicado na Europa. É provável haver acordo, mas por ora a situação segue complicada.

Segue complicada no Reino Unido, onde o prazo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) vai se esvaindo. O ministro do comércio inglês diz não querer a saída sem ter fechado acordos comerciais com a União Europeia. O partido conservador volta a pressionar e falar sobre novo plebiscito para rever o Brexit. Theresa May, primeira-ministra volta a ser pressionada e diz que outro plebiscito seria traição à democracia. Para completar, o presidente do BOE (BC Inglês) confirmou saída da presidência em 2019, possivelmente antes do prazo final do Brexit.

Já entre os emergentes, a Argentina segue sofrendo, assim como outros emergentes desequilibrados em suas finanças. Nesse início de semana, o presidente Macri fez discurso político dizendo não ter conseguido aprovar reformas estruturais e dividiu a culpa dos percalços argentinos com a Turquia e Brasil. Seu ministro anunciou que o FMI concorda em fazer novo plano para o país e antecipar parcelas dos empréstimos. Falou em esforço para ajustar contas públicas, sem especificar como.

Com a recessão grassando no país darão reforço aos programas alimentares e recursos para os pobres, além de cortar ministérios (falam em 13) e impostos sobre exportações. Apesar disso, não parece ser possível equilibrar o país. E o Brasil sofre em suas exportações, já que a Argentina é o segundo país mais importantes de nossas exportações, principalmente do setor automotivo.

Notem que não abordamos problemas próprios da Turquia, África do Sul e Indonésia; que mexem com os mercados, e nem mesmo com as sanções americanas impostas para Rússia, Irã e China. Também não abordamos possíveis retaliações desses países, agravando o protecionismo e desequilibrando ainda mais as moedas de países emergentes. Ou seja, o quadro internacional não deve ter grande melhora nos dias que correm, o que significa que os mercados vão seguir voláteis e indefinidos no curto prazo.

No Brasil, entramos na reta final das eleições majoritárias. Definições sobre quem estará no segundo turno só teremos depois de passada a primeira quinzena de setembro. Muito embora a situação de Lula já esteja resolvida, será preciso verificar a transferência de seus votos para candidatos como Haddad e Ciro (principalmente) e como será a progressão de Alckmin nas pesquisas com 45% do tempo de TV.

Enquanto isso, na economia nenhuma novidade a não ser pelo susto de que aumentos dos servidores pudesse estar contido no orçamento de 2019, um orçamento por definição bastante complicado de ser cumprido pelo próximo presidente. Nesse momento quase ninguém dá crédito ao governo de Temer e seus discursos e promessas. O foco está todo em quem figurará no segundo turno e quem terá chance de se sagrar vencedor. Notem que depois disso ainda teremos algum tempo de purgação, até que o projeto de governo seja melhor explicitado e como ocorrerão as reformas tão necessárias.

Como se não bastasse tudo, a semana embute ainda indicadores de conjuntura importantes como o payroll americano de agosto, a produção industrial local de julho e a inflação oficial, essa aparentemente bem tranquila e próxima de zero.

Resumindo, muito cuidado para aqueles investidores que não gostam de risco e muita sorte para quem vai seguir especulando nesse mercado volátil e sujeito a intempéries.