A virada de julho para agosto traz muitos eventos com capacidade de afetar os mercados de risco pelo mundo, num mercado que já vem mostrando no curto prazo intensa volatilidade e troca de sinais. Começando pelos bancos centrais, a semana embute decisões de política monetária do FED americano, do BoJ Japonês e ainda do BOE inglês. Com relação ao FED pouco a acrescentar.

As previsões são de manutenção da taxa de juros no patamar entre 1,75% e 2,0%, depois de duas altas de 0,25%. Porém, as previsões dos agentes dão conta de mais duas altas até o final do ano, nos meses de setembro e dezembro, levando possivelmente para 2,50% em 2018, para trabalhar com previsão de mais três altas ao longo de 2019.

Para o BoJ, os boatos nas últimas semanas têm sido intensos. Nas duas últimas semanas, houve pressão de elevação dos juros, afetando mercados do mundo, a partir de noticiário envolvendo a possibilidade de mudanças na compra de ativos. Nesse início de semana, o BoJ teve que interferir no mercado de JGBs de 5 e de 10 anos, para manter juros baixos. Só lembrando, a taxa de juros básica no Japão está em -0,1%. O que tem causado transtornos ao sistema bancário japonês.

O BOE inglês deve sinalizar como lidará com a normalização da política monetária e compra de ativos. Pode não mudar da taxa básica de 0,5%, mas a intenção clara é de começar a sinalizar elevações. Constantemente o presidente do BOE, Mark Carney, tem dito isso, o que nos permite dizer que dentre os maiores bancos centrais será o próximo a ir na direção do FED.

O outro evento se refere à divulgação de resultados da safra do segundo trimestre. É bem verdade que algumas empresas importantes já anunciaram seus resultados. Boa parcela das ações de tecnologia já divulgou, e causaram graves transtornos ao mercado americano e ao índice Nasdaq. Basta lembrar o que aconteceu com as ações do Facebook e Twitter, com quedas rondando 20%. Porém, ainda teremos a Apple anunciando em 31 de julho, além de muitas outros de setores diversos, com efeitos pontuais.

No Brasil, a semana embute resultados de Embraer às voltas com grande discussão de compra pela Boeing, golden share do governo e pré-candidatos dando opiniões ou pedindo que a decisão seja postergada até que o novo presidente esteja eleito. Depois do anúncio do Bradesco, será a vez de Banco Itaú que já anunciou pagamento de bom dividendo. Teremos na sexta-feira (03 de agosto), o resultado da Petrobras, que recentemente conseguiu adiar decisão judicial (decisão do Jurista Dias Toffoli) que obrigava a empresa a pagar R$ 17,0 bilhões, na maior ação trabalhista do país.

No cenário externo, para não perder o foco, temos a crise comercial. Apesar da reunião entre Trump e Claude Juncker (União Europeia) ter sido positiva, nada de concreto foi acertado e as negociações vão entrar em curso. O positivo é que enquanto as negociações não foram concluídas, não haverá aplicação de sobretaxas. Porém, a União Europeia já está impondo sobretaxa para importações para a China, que depois da reunião citada acabou um pouco isolada. Destacamos que os problemas com a China são mais amplos, com os EUA acusando o país de roubo de propriedade intelectual, numa disputa que envolve vultuosos investimentos e hegemonia tecnológica.

Só para dar rápida panorâmica do segmento local, não podemos esquecer as convenções de partido que obrigatoriamente terão que acontecer até o próximo dia 05 de agosto, seguida de registro das chapas até 15 de agosto. Portanto, até o dia 05 do próximo mês, teremos o clareamento da situação política e as pesquisas de opinião serão mais contundentes.

Nem é preciso lembrar que os investidores e gestores de recursos estarão super ligados em tudo que, nos nosso entender, serão os vetores determinantes do comportamento de todos os segmentos de risco no cenário local e internacional.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais