Estamos chegando ao final do ano quando tradicionalmente todos os agentes vão naturalmente desacelerando. Recesso no Congresso e no Judiciário, férias escolares, de executivos e muitos feriados de final de ano, com algum enforcamento.

Apesar disso, a semana será intensa de indicadores de conjuntura no mundo, eventos importantes e muitos com capacidade de afetarem o comportamento dos mercados pelo mundo. No Brasil, não será diferente, principalmente se considerarmos a influência do ambiente político.

Para começar, a semana embute reuniões de três importantes bancos centrais, a saber: o FED americano, o banco central inglês e o banco centrão europeu. O momento é tão significativo que o PBOC (BC Chinês) foi prudente ao longo das últimas semanas no que tange a prover liquidez ao sistema financeiro, aguardando as próximas decisões de bancos centrais. Na China, teremos indicadores de conjuntura importantes que serão anunciados.

Nos fixando nos bancos centrais, a grande incógnita está na decisão do FED americanos. Os agentes do mercado dão como certo que os membros do FOMC irão ampliar a taxa de juros básica em 0,25%, seguida de mais três altas ao longo do próximo ano de 2018. Isso é o que está posto como mais provável. Porém, na semana passada, o presidente do FED regional de Chicago disse não estar tão óbvio o aumento de juros nessa próxima reunião, por conta da taxa de inflação ainda abaixo da meta, principalmente pela medida do PCE, que o FED tanto gosta. Também não enxerga pressões subjacentes de salários, notadamente quando o país se aproxima do pleno emprego (se é que já não está lá). Além disso, temos a reforma Tributária de Trump que promete andar mais e ficar viável ainda em 2017.

Com o BOE a situação é diferente. A inflação dá mostras que está acelerando, o que indicaria prudência na política monetária expansionista, principalmente no que tange à compra de ativos. As pressões para mudar a política monetária estão presentes. No entanto, existem muitas dúvidas ainda com relação ao Brexit (saída do Reino Unido da União europeia) e os efeitos sobre a economia nos próximos anos. No BCE, na teoria, a política monetária está praticamente garantida até o final de 2018, com vários membros, inclusive o presidente Mario Draghi, se posicionando sobre a necessidade de manter estímulos, apesar dos sinais claros que a economia dos países membros está acelerando o processo de recuperação.

Como se isso não bastasse, ao longo da semana, teremos indicadores de conjuntura importantes nos EUA, como inflação e vendas no varejo, ou ainda na China, quando será anunciada uma bateria de dados que sempre mexe com os mercados. Os agentes terão que aferir se a economia chinesa está crescendo dentro da meta esperada de 6,5%, ou se segue acima disso e apontando para crescimento em 2017 de 6,8%. Os últimos indicadores apontam mais para essa segunda hipótese. O saldo comercial já anunciado ficou acima do esperado e na semana teremos a produção industrial, vendas no varejo, investimentos em ativos fixos urbanos; todos do mês de novembro.

No que versa sobre Brasil, até agora está posto que o principal item de preocupação dos investidores terá sequência. Está previsto que os parlamentares começarão a discutir a reforma da Previdência nessa semana (14 de dezembro), e no cronograma a primeira votação na Câmara (são duas em cada casa) em 19 de dezembro. Esse encaminhamento positivo, deve mexer bastante com os mercados de risco, aí incluído o dólar e a bolsa. Aparentemente, depois da convenção do PSDB do final da semana passada, mesmo sem fechar questão, o governo já poderia contar com cerca de 300 votos, ficando bem mais fácil atingir os necessários 308 votos e até trabalhar com alguma margem de segurança decorrente do “conceito de manada”, quando a vitória atrairia mais parlamentares votando pela reforma. O presidente Temer endureceu a postura com seus ministros, ao mesmo tempo em que cumpre compromisso de liberar verbas ainda possíveis no orçamento.

Vamos ter muita volatilidade nesse final de ano, mas as maiores indicações parecem positivas, o que garantiria comportamento positivo dos mercados nesse restante de ano, mesmo sem considerar a possibilidade de rali. Bom seria se conseguíssemos superar o patamar de 75100 pontos do índice, quando o mercado adquiriria consistência.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais