A semana promete ser de larga tensão para os mercados de risco em todo o mundo. Clima geopolítico em ebulição, agenda lotada de indicadores importantes e pesquisa eleitoral no Brasil; são bons motivos. Além disso, semana de vencimento de derivativos na Bovespa, e início de safra de balanços no Brasil e exterior, o que agrega ainda maior volatilidade na precificação dos ativos.

O bombardeio de instalações na Síria pelos aliados EUA, França e Inglaterra, ainda não embute reações da Rússia e China, ficando, por enquanto no discurso na ONU e declarações diplomáticas. Porém, em que pese a Rússia ainda não ter feito qualquer retaliação, ainda assim os EUA prometem para 16 de abril novas sanções ao país, por conta de a Rússia não ter conseguido inibir o uso de armas químicas contra população civil síria. Apesar disso, não podemos descartar alguma reação mais forte, mesmo considerando o pedido de Macron da França para que colabore com uma solução política.

O próprio Macron e Theresa May do Reino Unido podem enfrentar alguma oposição em seus Congressos, já que não foi pedida autorização formal. Só para dar uma ideia, o ex-primeiro ministro, Tony Blair, carrega até hoje posições contrárias quando de interferência no Iraque. Na reunião do final de semana na ONU, três países do Conselho de segurança votaram contra o ataque realizado pelos aliados.

A agenda de eventos da semana inclui bateria de dados da China, incluindo produção industrial, vendas no varejo e investimentos em ativos fixos, quando o país começa a conviver com leve desaceleração de atividade, decorrente de ajustes na economia e maior rigidez com os “bancos sombra” que financiam boa parte da atividade econômica. Previsões dão conta que o crescimento da China em 2018 pode ficar em 6,7%. Além disso, começou a safra de balanços referentes ao primeiro trimestre de 2018, com economias ainda com baixa sincronia.

Nos EUA, as expectativas são de resultados melhores no primeiro trimestre, o mesmo podendo acontecer com o Brasil, apesar da baixa tração mostrada pela economia nesses meses iniciais. Boa parte disso, se prende às eleições majoritárias de final de ano e outra parte por conta da ausência de medidas de ajustes e estruturantes da economia.

Houve muita troca de ministros recente, notadamente na área econômica. Além do prazo de adaptação, tivemos defecções de técnicos no ministério das Minas e Energia, em oposição à indicação de Moreira Franco. Com isso, o processo de privatização da Eletrobras pode, no mínimo, sofrer atrasos. As mudanças no ministério da Fazenda e outras posições não foram traumáticas, mas mesmo assim não podemos intuir vida fácil para os novos indicados.

O discurso do novo ministro Eduardo Guardia soou como música aos ouvidos de investidores e empresários, falando de privatização da Eletrobras, acordo de cessão onerosa com a Petrobras e saldo a ser leiloado, mudanças no PIS/COFINS, atração de investimentos privados e estímulo ao mercado de capitais. Porém, nada será fácil, principalmente no que depender de votação no Congresso Nacional às voltas com eleições. Onde muitos políticos dependem da manutenção do foro privilegiado. O clima para aprovar medidas mais duras inexiste.

De outra feita, com o quadro eleitoral ainda totalmente em aberto, o ímpeto de crescimento desacelera e novos investimentos podem demorar a fluir, com destaque para infraestrutura cuja maturação é ainda mais longa. Tudo isso permeado por cenário de contração da política monetária dos países desenvolvidos e elevação de taxas de juros.

No âmbito de nosso mercado secundário de ações, temos a coincidência de vencimentos de derivativos durante a semana, onde será preciso observar o volume de exercícios e rolagem de posições futuras, para dimensionar o que pode acontecer. Todavia, temos que considerar que depois de termos registrado forte ingresso de recursos de até fevereiro (vazamos R$ 10 bilhões), até 11 de abril, esse volume estava reduzido a R$ 464 milhões, depois de ter passado pelo negativo.

Tendo tudo isso em foco, seguimos sugerindo prudência na assunção de posições mais agressivas e de curto prazo, ao mesmo tempo em que indicamos boas oportunidades de montagem de carteiras para retornos de mais longo prazo.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais