A semana promete muito em termos de divulgação de indicadores de conjuntura e eventos com capacidade de movimentarem os mercados, não só no plano local, como internacional. Isso traz potencial de avivar a aversão ao risco e agrega volatilidade e mudanças de sinais nos mercados de risco.

Já começamos a semana com pesquisa proprietária de intenção de votos mostrando a liderança de Jair Bolsonaro um pouco mais ameaçada, já que o candidato ficou estacionado em 33%. O candidato Haddad subiu de 23% para 26%, com Ciro mostrando ser outra ameaça do lado da esquerda. Apesar disso, hoje – 24 de setembro, está prevista outra pesquisa nacional do IBOPE (serão duas na semana), outra do Instituto Datafolha; além de outras tantas proprietárias como a citada e realizada pelo BTG Pactual/FSB Pesquisa.

Na economia, começamos a semana com o déficit em conta corrente de agosto anunciado pelo Bacen que acumula em 12 meses US 15,5$ bilhões. Algo como 0,80% do PIB, mas amplamente coberto pelo ingresso de investimentos diretos no país de US$ 69,63 bilhões, significando 3,61% do PIB. Porém, os investimentos em renda fixa declinaram US$ 7,75 bilhões em agosto e investimentos em fundos mostrando saída líquida de US$ 43 milhões. Isso coincide com a divulgação do Tesouro Nacional da dívida pública federal em R$ 3,78 trilhões, crescendo 0,98%, mas com participação declinante de estrangeiros para 11,92% do total.

No Brasil, ainda teremos na semana a divulgação da ata do Copom da última reunião que manteve a taxa de juros Selic estabilizada em 6,50%. Mas deixando brechas para eventual elevação ainda em 2018, caso as incertezas internas e externas pressionem, o dólar fique sob pressão e ainda olhando o comportamento de alta dos juros americanos com títulos de dez anos na casa de 3,08%. A ata pode esclarecer possivelmente o que acontecerá daqui até o final de 2018. Além disso, a semana embute a divulgação do INCC e IGP-M fechados do mês de setembro, dados da política monetária, da PNAD contínua do trimestre encerrado em agosto e a nota de política fiscal. Podemos incluir ainda o importante Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

No cenário externo, os temas são quase recorrentes, mas os investidores vão focar na reunião do FOMC do FED sobre política monetária, onde a chance de alta dos juros básicos é elevada. Os investidores esperam ainda duas altas no ano de 2018, mas de forma bastante gradual e da ordem de 0,25%. Qualquer diferença em relação a isso vai mexer com os mercados, taxa de juros e câmbio. Nos EUA, ainda teremos nova leitura do PIB e vários indicadores de atividade regionais.

Porém, os investidores seguirão preocupados com as relações comerciais entre EUA e China. Nesse aspecto, a tendência parece ser de quadro mais ameno, depois da tarifação imposta pelos EUA em 10% sobre US$ 200 bilhões, e posterior retaliação da China em US$ 60 bilhões e alíquotas entre 5% e 10%. A China está disposta a voltar a negociar. Os EUA querem colocar na pauta o respeito à propriedade intelectual, e a situação pode ficar mais tranquila depois das eleições para o Congresso americano. Convém destacar que mexe com as relações comerciais em todo o mundo, principalmente nos países emergentes.

Ainda no plano internacional, dois outros fatos ganham dimensão. De um lado, os problemas com o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia e os problemas relacionados com a Itália. Theresa May do Reino Unido teve seu projeto de Brexit rejeitado e segue cada vez mais fraca e com ministros demissionário, segundo noticiário. O prazo vai terminando para o parlamento inglês manifestar sua posição. A data limite do Brexit é março de 2019 com ou sem acordos. Na Itália, o Partido 5 estrelas liderado por Di Maio, segue afirmando que tem que usar o déficit fiscal para acionar o programa de renda básica, e isso se choca com as regras da União Europeia.

Lembramos ainda de problemas com emergentes como Argentina, Turquia, África do Sul, Indonésia e outros; ou ainda sanções de toda ordem produzidas contra Irã, Rússia ou Coreia do Norte. Por tabela, o dólar forte no mercado internacional desequilibra o mercado de câmbio como um todo e afeta diretamente países emergentes desequilibrados.

Resumindo: a semana reserva fortes emoções e comportamento imprevisível dos mercados de risco espalhados pelo mundo.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais