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Por Alvaro Bandeira

Excetuando os economistas diretamente ligados ao governo da presidente Dilma, não existe nesse momento ninguém que esteja estimando que o país possa melhorar no curto e médio prazo. Essa visão mais genérica das variáveis macroeconômicas exclui, obviamente, as contas externas e a taxa de inflação.

Do lado das contas externas não diríamos que ocorre por motivos nobres. A desaceleração econômica e a taxa cambial inibem importações e ampliam a possibilidade de exportar. O real desvalorizado amplia o interesse dos investidores e pode facilitar ingresso de recursos, não exatamente no mercado acionário, mas via processos de fusão e aquisições, sempre avaliados no longo prazo.

Com isso queremos dizer que é mesmo possível que o saldo comercial de 2016 possa ficar no estimado pelo governo de superávit de US$ 35 bilhões, e o déficit menor em conta corrente totalmente coberto pelo ingresso de IDP (Investimento Direto no País). Do lado da inflação, é óbvio que não teremos totais as pressões de aumento de preços administrados que ficaram represados (mas teremos pressões de alimentos e outras pontuais como tarifas e educação), mas será cadente principalmente depois do primeiro trimestres de 2016. Ainda que isso possa ser certo, a inflação está longe de convergir para o teto da meta em 2016, e para o centro em 2017.

Certamente o governo irá tentar capitalizar essas variáveis, ao mesmo tempo em que ficará o mais silente possível sobre outras variáveis como desemprego, crescimento da dívida bruta, não atingimento da meta fiscal de 0,5% do PIB (possivelmente transformada em banda de variação para acomodar), etc. Aparentemente estão mirando na tentativa de ter o melhor resultado possível nas eleições municipais, base de sustentação para as eleições majoritárias de 2018. Nesse contexto não devemos excluir nem mesmo reduções da taxa básica de juros e até reduções no preço dos combustíveis, independente da terrível situação atravessa por Petrobras.

A reedição de medidas anticíclicas para acomodar a fraca recuperação da economia global deve permear as medidas de governo, com a ampliação do crédito público, a volta dos “campeões nacionais” e estímulos setoriais. Do lado da receita, podemos projetar que a penúria de Estados e Municípios pode até facilitar a aprovação da CPMF, desde que sobre algum recursos para esses entes da Federação.

Tudo isso pode até dar certo gás na economia, gerando melhor performance. Porém, estaremos fadados a desequilíbrios ainda mais graves no futuro, algo semelhante ao que foi feito no período pré-eleitoral de 2014, redundando nos erros agora coletados. Ou seja, em 2017 estaríamos ainda pior que em 2015, pelo simples fato de não termos avançado no superávit primário para domar o crescimento da dívida pública e de não termos feito reformas de vulto destinadas a colocar a economia na direção de seu eixo mais positivo.

Não há como fugir disso. É preciso mudar a trajetória da dívida com superávits de vulto e, concomitante, iniciar reformas começando pela previdenciária, responsável em 2015 por rombo de quase

R$ 86 bilhões e em expansão. E não será possível parar somente por aí. É preciso mudar marcos regulatórios, privatizar (desculpe, fazer concessões), fazer a reformas administrativa, política e fiscal; dentre tantas outras requeridas.

Será preciso desindexar a economia e atrair o setor privado. Isso só se faz com credibilidade e regras estáveis e claras. Será preciso atacar ainda a queda de produtividade e perda de competitividade externa de nossas empresas, por mais que a taxa cambial possa facilitar.

Como se vê, a situação é a mais difícil, como nunca na história desse país!