Sob o Domínio da Política

Faz tempo que temos dito que a cena econômica está completamente dominada pelo quadro político complicado em que o Brasil se meteu. A constatação é que novas diretrizes econômicas só serão possíveis caso haja definições no campo político. E isso depende se haverá ou não impeachment da presidenta Dilma, desembarque de partidos da base, se a chapa Dilma/Temer das últimas eleições pode ou não ser impugnada; ou ainda se nada disso ocorrerá, com ao presidente conseguindo os tais 171 votos na câmara para barrar o processo no nascedouro.

Enquanto nada disso é definido, não será possível aprovar medidas na área econômica destinada a reconduzir a economia para os eixos. Evidentemente que disso depende a performance dos mercados de risco por aqui. Quanto mais tempo demorar para definições no quadro político, mais complicado será prever o futuro econômico do país. Aparentemente o ano de 2016 está inexoravelmente perdido, e não seria impossível a contração do PIB em mais de 4%, com o desemprego atingindo 12% ou 13% no pico.

Também fica inviável o ajuste fiscal e as previsões são de déficit em 2016 da ordem de 1,5% do PIB, o que ampliaria ainda mais a dívida pública, e levaria na direção de atingir algo como 80% do PIB. Com isso seria lícito supor que o Brasil seria novamente rebaixado pelas agências de classificação, ficando com acesso mais restrito ao crédito internacional e com taxas ainda maiores para rolagens de posições.

Nesse momento o que de melhor se apresenta é a possibilidade de alguma definição no curto prazo, já que a Câmara quer votar o impeachment em 17/04. Vamos, provavelmente, ter que esperar até lá para definições.