No universo do entretenimento, os termos ‘camarote’ e ‘pipoca’ são velhos conhecidos. A pipoca é o ambiente mais popular, onde os anônimos se encontram. No camarote, as celebridades conhecidas e queridas pela maioria dão as caras.

Em uma competição, como a que acontece no famoso Big Brother Brasil, onde a afinidade do público para com o participante desses dois ambientes pode ser o ingrediente determinante para a fórmula do sucesso, e consequente a vitória, o camarote parece ser o mais desejado.

Mas e se o jogo virasse e, de repente, mocinho passasse a ser vilão e os desconhecidos passassem a ser os queridinhos? Quem ganha e quem perde?

Está confuso sobre o motivo de abordarmos esse assunto? Acontece que essa divisão ocorre com mais frequência do que deveria também no mundo dos investimentos. Quer saber como fugir dos vilões e ir para o lado vencedor? Então conheça os investimentos Pipoca e Camarote neste artigo que preparamos para você.

 

Não entre na contramão do sucesso

Ainda utilizando os termos mencionados, neste tópico, daremos atenção aos produtos disponíveis em instituições financeiras, e que poderíamos considerar como se estivessem no Camarote do BBB.

Antes, vamos explicar como ocorre essa divisão dentro do reality show. Dois grupos, formados por dez pessoas cada um, foram convidados a participarem do programa, sendo que alguns deles já eram conhecidos de uma parte do público, especialmente em algumas redes sociais.

Esses famosos são considerados ‘Camarote’. No grupo dos anônimos, estão os da Pipoca. Todos concorrendo por igual ao prêmio de R$ 1,5 milhão.

Em teoria, quem é mais conhecido passa a impressão de que é, naturalmente, um favorito, sendo um forte candidato a levar o prêmio. No entanto, essa não tem se mostrado uma verdade absoluta.

Utilizando essa analogia, portanto, aqueles investimentos e produtos financeiros mais famosos e que, no final das contas, decepcionam quem espera deles uma boa e justa performance, ou seja, um resultado de fato atrativo, seriam do grupo Camarote. A seguir, confira alguns deles.

 

Camarote

Poupança. A poupança é extremamente obsoleta. Criada sob um decreto em janeiro de 1861, por D. Pedro II, é, sem dúvidas o produto financeiro predileto dos brasileiros que fazem algum tipo de investimento: em 2019, segundo dados do Raio-X da Anbima, 84% desse grupo analisado deu preferência a esse produto.

No entanto, o que faz dele um vilão para a sua carteira de investimentos, é o fato de que ele tem apresentado rendimentos baixíssimos, perdendo, muitas vezes, até mesmo para a inflação.

No antigo formato da poupança, o rendimento era sempre fixado em 0,5% ao mês, acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), independentemente do percentual da taxa básica de juros (Selic) que estivesse em vigor.

Em 2012, um novo formato passou a valer, e nele, os novos depósitos que fossem realizados renderiam até 0,5% ao mês mais a variação da TR, no entanto, esse percentual de rendimento passaria a depender do percentual da Selic.

Com isso, se o percentual da taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano (como hoje, que está em 2% ao ano), a poupança renderá o equivalente a 70% da taxa Selic mais a TR (que, desde setembro de 2017, está zerada). Caso a taxa de juros volte aos patamares superiores a 8,5%, a poupança renderá como na regra da velha poupança.

Para melhor compreensão, vamos utilizar um exemplo de como seria o rendimento da poupança. Como base nos dados atuais, da Selic e da TR, digamos que, se você tem R$ 10 mil aplicados na poupança, ela renderá 1,4% ao ano ([2 x 70%] + 0%) ou cerca de 0,11% ao mês, o equivalente a um rendimento de R$ 11 no mês.

E, isso tudo, sem contar com o fato de que, dependendo do percentual que atingir a inflação, o rendimento real pode ser negativo, o que faz com que seu dinheiro, aplicado na poupança, perca valor de compra.

 

Título de Capitalização. Apesar de não ser considerado um investimento, o título de capitalização é um dos produtos financeiros mais oferecidos aos clientes dos grandes bancos tradicionais.

Basicamente, o titular desse produto se compromete a destinar um determinado valor – pago em parcelas ou em totalidade –, sob o direito de participar do sorteio de prêmios, que podem ser em dinheiro ou até mesmo em bens, como carros.

Se ao final do prazo determinado na compra do título, o cliente não receber nenhum prêmio, ele poderá resgatar o valor com uma pequena correção que, na maioria das vezes, não supera nem mesmo a inflação – ou seja, a história se repete ao que mencionamos com a poupança: um rendimento real negativo é o equivalente a reduzir o seu poder de compra.

Vale lembrar que o valor resgatado ao final do prazo pode até mesmo ser inferior ao que foi pago, visto que há também cobranças de taxas de administração, entre outros. E, para completar, esse valor pode ser ainda mais descontado caso seja resgatado antes do prazo acordado.

Por isso, se o seu objetivo é adquirir algum dos prêmios oferecidos, o ideal é que você destine seus recursos a investimentos que trarão retorno verdadeiro sobre suas aplicações.

 

Consórcio. Outro velho conhecido que, apesar de não ser um investimento, é um dos produtos bancários mais queridinhos dos gerentes de grandes bancos, é o consórcio.

Esse produto não deve ser confundido com um fundo de investimentos. Apesar de ser baseado na junção de recursos de pessoas, físicas ou jurídicas, que têm como objetivo formar uma poupança para a aquisição de bens móveis, imóveis ou serviços, como intercâmbio, não há nele nenhum tipo de rentabilidade.

Pelo contrário, nos valores aportados são diluídas as taxas desse produto. Além disso, os valores depositados se tornam uma obrigação do consorciado, que compra uma carta e paga por ela nas tais parcelas do consórcio. Esse é mais um exemplo de opção de produto bancário que não substitui investimentos de verdade.

 

Do anonimato ao sucesso: Pipoca!

Observando todos os participantes do jogo, pudemos notar que os anônimos têm se tornado grandes destaques e peças importantes no caminho para a vitória. Assim, quem subestima os desconhecidos, pode acabar ficando para trás.

Como no caso anterior, em que os produtos ‘Camarote’ surpreenderam quem esperava somente resultados dignos de vitoriosos, os da ‘Pipoca’ podem surpreender positivamente. Continue a leitura e conheça os investimentos ‘Pipoca’.

 

COE. Pouco conhecido, mas com potencial para ser considerado um jogador vitorioso, o Certificado de Operações Estruturadas é um belo exemplo de investimento ‘Pipoca’.

O COE funciona como uma combinação de renda fixa com renda variável em um único produto. Ele é estruturado de modo que permita o alcance de rentabilidades obtidas por meio de operações no mercado de renda variável, sem expor o investidor a todos os riscos desse segmento.

Isso é possível devido às barreiras que fazem parte dessa estrutura, que limitam tanto prejuízos quanto lucros na operação. Apesar disso, antes de escolher um COE, é importante que você saiba que existem dois tipos: os de capital protegido e os de capital em risco.

No caso dos de capital protegido, o investidor tem 100% de garantia sobre o valor principal investido, independentemente do que aconteça durante as verificações da estrutura.

Já nos de capital em risco há duas possibilidades: esse certificado pode oferecer garantia parcial do capital principal ou permitir que haja perda total, no entanto, no máximo até o limite do capital investido.

 

Debêntures. Outro investimento que poderia entrar em um reality como Pipoca, mas surpreender seus adversários, é a debênture. Esse produto é bastante flexível e pode ser encontrado até mesmo em uma versão que permita que o investidor pessoa física fique isento de IR sobre o rendimento (debêntures incentivadas).

Basicamente, as debêntures são títulos de dívidas emitidos por uma empresa. Quando o investidor compra parte desse título, está, de certo modo, emprestando recursos para essa companhia. Essa, por sua vez, devolverá os recursos sob o pagamento de uma taxa de juros predeterminada. Essa taxa, que determina o rendimento do investidor, poderá ser prefixada, pós-fixada ou, até mesmo, híbrida.

 

O muro que os divide

Como já aconteceu, anos atrás, no BBB, a barreira que divide esses dois grupos de investimentos, que hoje consideramos neste artigo como pertencentes à Pipoca ou ao Camarote, pode ser considerada o muro do reality.

No universo dos investimentos esse muro, que pode impedir que você enxergue o outro lado, o que oferece chances reais para você se sair vitorioso, é a indispensável educação financeira. Ter acesso a ela é determinante para que suas escolhas sejam as mais corretas possíveis e as que mais irão proporcionar a você um futuro financeiro tranquilo.

 

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