A educação financeira tem se tornado cada vez mais popular no Brasil, o que leva à busca por novas opções de investimentos, especialmente as que se destacam diante de um cenário de taxas de juros reduzidas.

Isso tem sido notado com o crescente número de investidores do mercado de renda variável: até julho de 2019, a B3 contabilizava a marca recorde de 1 milhão de investidores pessoas físicas. Após um ano, esse número já havia mais que dobrado, chegando à impressionante marca de aproximadamente 2.800.000 investidores.

Ainda com os olhares voltados a esse mercado, recentemente escrevemos aqui sobre como investir no exterior e as vantagens de se fazer isso. Uma das opções citadas foram os BDRs.

Porém, apesar de ser uma ótima alternativa de investimento, comprar um BDRs não era tão simples. Para investir na grande maioria desses certificados, era necessário ser, em termos de regulamentação, um investidor qualificado, ou seja, ter declarado possuir, pelo menos, R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

Chegar ao R$ 1 milhão é, no mínimo, o desejo de quem ainda não o alcançou. Porém, ter esse valor em carteiras de investimentos ainda não é uma realidade para a grande maioria dos brasileiros. Mas isso não precisa mais ser um limitador para a diversificação de seus investimentos.

Isso porque uma nova regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) veio para mudar essa situação e permitir que qualquer investidor – qualificado ou varejo – possa comprar esses certificados, e assim, ter mais liberdade na hora de escolher os ativos de sua carteira.

Vem entender melhor sobre os BDRs e sobre as regras que os cercam, neste artigo que preparamos para você.

 

Mudanças que favorecem o investidor comum

A partir de 1º de setembro de 2020, algumas Instruções CVM sofrerão diversas alterações, que implicarão em mudanças nas regras adotadas em relação aos BDRs atualmente listados e aos que ainda passarão a ser negociados.

Com as novas regras, nenhuma alteração na estrutura dos BDRs será modificada, porém algumas restrições existentes sobre eles, serão flexibilizadas.

A flexibilização que mais se destaca para o investidor é o fato de que, os não considerados qualificados pela Instrução CVM nº 554 passarão a poder negociar BDRs do Nível I lastreados em ações, títulos de dívidas ou ainda em fundos de índices (ETFs) do exterior.

As demais flexibilizações dizem respeito aos emissores, sendo que uma dessas, que também merece grande destaque, é o fato de que os BDR poderão ser lastreados em ações emitidas por seus emissores estrangeiros, mas com ativos ou receitas no Brasil. O mesmo se dará para títulos de dívida emitidos por companhias abertas brasileiras, e empresas locais, listadas em Bolsas estrangeiras.

Antes dessa alteração nas regras, apenas ações emitidas por companhias abertas, ou semelhantes, com sede e ativos predominantemente localizados no exterior, poderiam servir como lastro para os valores mobiliários negociados no Brasil.

 

Mas, afinal, o que são os BDRs?

Os BDRs, que são a abreviação para Brazilian Depositary Receipts, basicamente, são certificados de depósitos de valores mobiliários estrangeiros, ou seja, são títulos emitidos no Brasil, mas que representam um valor mobiliário do exterior.

Eles são classificados em tipos e níveis. Os tipos são:

  • Não patrocinado, que é classificado apenas como Nível I;
  • Patrocinados, classificados em Nível I, II ou III. No Nível I, as exigências regulatórias sobre os emissores são menores, o que levava a maiores restrições de acesso a investidores varejo (não considerados qualificados).

Na grande parte das vezes, esses valores mobiliários são lastreados em ações de companhias estrangeiras. Mas como uma das alterações das regras, vimos que, a partir de setembro, eles também poderão representar, por exemplo, títulos de dívida emitidos por companhias abertas brasileiras.

Mas é importante ressaltar que, por exemplo, ao comprar um BDR de uma empresa como Facebook (FBOK34), você não estará se tornando um acionista dela, como você se tornaria ao comprar ações de uma empresa brasileira, negociada em nossa Bolsa de Valores, como, por exemplo, Lojas Renner (LREN3).

Ao comprar um BDR, como o citado no exemplo, você estará investindo em títulos representativos das ações dessa empresa no exterior. Dessa forma, você assume uma posição similar à que teria caso comprasse a ação lá fora, isso porque, apesar de serem emitidos por instituições depositárias brasileiras, são lastreados – ou seja, garantidos implicitamente – por valores mobiliários de empresas estrangeiras.

Como você viu, os hábitos financeiros dos brasileiros estão mudando, e com eles, o mercado financeiro só tende a evoluir.

Por isso, não perca tempo, abra sua conta hoje mesmo! Comece a investir com o modalmais, o banco digital do investidor!

Obrigado por ler até aqui!

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