Macroeconomia

Copom eleva juro básico a 13,25%

Em sua 247ª reunião, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil (BCB) elevou a taxa de juros em 50 basis points para 13,25%, conforme nossa projeção e mediana do mercado. Esta é a décima primeira alta consecutiva da taxa SELIC.

O comunicado tem teor neutro ante nossa expectativa. Como esperávamos, o BCB se mostrou mais preocupado quanto a aceleração do aperto das condições financeiras nas economias desenvolvidas e ao impacto sobre a trajetória fiscal de medidas que estimulam a demanda agregada. Assim, decidiu não apenas pela elevação da Selic como também deixou espaço para estender o ciclo de aperto monetário. Nossa projeção indica mais uma alta de 50 pontos base na próxima reunião do comitê.

No cenário externo, o BCB entende que o ambiente é ainda menos favorável com a aceleração do ritmo de aperto monetário nas economias desenvolvidas. Comenta também sobre o aumento da aversão ao risco e revisões baixistas no crescimento global.

Voltando-se para o Brasil, o COPOM reitera que o crescimento da atividade econômica está acima do esperado pela autoridade monetária.

A descrição de que as medidas da inflação subjacente estão acima do intervalo compatível com a meta também é mantida no comunicado. O COPOM ainda caracteriza a inflação acima da meta como resultante tanto de itens mais voláteis quanto dos componentes subjacentes.

Nas projeções de inflação do cenário de referência, a taxa de câmbio foi fixada em USD/BRL 4,90 (anterior: 4,95). Com isso, as projeções do COPOM encontram-se em 8,8% e 4,0% (anterior: 7,3% e 3,4%) para 2022 e 2023, respectivamente. Para 2024, as projeções encontram-se em 2,7%. O comitê reforça que as “projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação”. As projeções de preços administrados são de 7,0% e 6,3% (anterior: 6,4% e 5,7%) para 2022 e 2023, respectivamente. Para 2024, a projeção é de 3,3%. O COPOM mantém a hipótese de bandeira tarifária amarela para o final de 2022, 2023 e 2024.

Em relação ao balanço de riscos, o comitê considera que a inflação global e a incerteza sobre o arcabouço fiscal podem levar a inflação para além do cenário de referência. No entanto, qualificou o risco altista para a inflação advindo de “políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada”. Por outro, avaliam que a reversão das commodities em preço local e uma desaceleração da economia podem trazer a inflação para baixo, mantendo o balanço baixista inalterado.

Especificamente sobre a inovação do balanço de riscos, o comitê destaca que “as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária”.

Finalmente, sobre a condução da política monetária, o Comitê elevou a Selic em 0,50 ponto percentual para 13,25%. Destaca novamente o avanço sobre o patamar significativamente contracionista e mantém a afirmação de que perseverará em sua estratégia até que o processo de desinflação e as expectativas se consolidem em torno da meta.

Em relação aos próximos passos, o COPOM sinaliza a extensão do ciclo com uma alta de mesma ou menor magnitude, retirando (ou reduzindo consideravelmente), no entanto, a possibilidade de que esta alta não ocorra. Isso é justificado pela elevada incerteza externa, fiscal e pelas defasagens de atuação da política monetária sobre atividade e inflação.

Aguardamos a divulgação da ata da reunião para maiores informações a respeito dos próximos passos na condução da política monetária. Mantemos nossa projeção de mais uma alta de 50 pontos base na próxima reunião, levando a SELIC ao patamar de 13.75%.

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