Depois da forte alta de ontem da B3, com o índice voltando a ultrapassar 86.000 pontos, hoje foi dia de indefinição e algumas notícias que acabaram por alterar o quadro positivo do início da manhã. Com isso, ainda não enxergamos consistência para rompimento da zona de congestão no patamar de 85.500 pontos/85.700 pontos.

O dia foi complicado por dois posicionamentos básicos. O primeiro relacionado às declarações de Christine Lagarde do FMI, e o segundo relacionado ao mercado local. Tivemos o desequilíbrio entre moedas e isso mexendo com o segmento de commodities. Podemos incluir ajustes de posições no mercado local, depois do vencimento de opções e de índice futuro (ontem).

Lagarde em evento do FMI em Washington disse que reformas estruturais são necessárias, inclusive no que tange à corrupção e governança. Disse ser importante países promoverem comércio multilateral inclusivo e setor financeiro resiliente. Aventou o risco de que a normalização monetária provoque ajuste súbito dos mercados e ressaltou os conflitos comerciais e volatilidade dos mercados. Citou ainda que a dívida do mundo está em US$ 164 trilhões, sendo que 2/3 no segmento corporativo.

Coincidentemente com isso, a União Europeia estabeleceu barreira às exportações de carne de aves brasileiras, abrangendo oito empresas e a Brazil Foods. A pergunta que fica é se isso já faz parte dos conflitos comerciais, já que o Brasil é exportador importante. Tudo isso gerou estresse nos mercados, com o dólar mostrando descasamento com outras moedas importantes.

Nos EUA, tivemos a divulgação do índice de atividade industrial de Filadélfia de abriu que subiu para 23,2 pontos, quando o previsto era 20,1 pontos. O índice de indicadores antecedentes do Conference Board mostrou alta de 0,3% em março. O Presidente do BOE (BC Inglês), Mark Carney, disse que aumentos de juros serão graduais e o Brexit complicado pode atrasar essa postura.

Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 0,39% (pela manhã chegou a subir mais de 1,0%), com o barril cotado a US$ 68,20. O euro era transacionado em queda de 0,21%, cotado a US$ 1,235. Notes americanos de dez anos com taxa de juros de 2,92%. O ouro e a prata em queda nas negociações da Comex e commodities agrícolas com viés de queda na bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o presidente do Bacen Ilan Goldfajn, falou em encontro do FMI. E o ministro da Fazenda, Guardia, deu declarações sobre a economia brasileira, necessidade de reformas, privatização da Eletrobras e mudanças tributárias. O ministro Maggi, por conta da barreira imposta para a carne de aves brasileiras pela União Europeia, disse que entrará com painel junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para mostrar que estão errados.

No Brasil, os DIs que tinham aberto com juros em queda viraram para alta nos mais líquidos e o dólar chegou a atingir R$ 3,41. Na B3, na sessão de 17 de abril, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 157,3 milhões, e o saldo positivo acumulado do mês de abril foi para R$ 1,08 bilhão e, no acumulado do ano, ingresso líquido de R$ 1,12 bilhão.

No mercado acionário, dia de alta de 0,16% para a bolsa de Londres, Paris com +0,21% e Frankfurt com -0,19%. Madri em alta de 0,05% e Milão com +0,14%. No mercado americano, faltando ainda poucos minutos para encerramento, o Dow Jones perdia 0,15% e Nasdaq com-0,90%. Na B3, também poucos minutos antes do fechamento, o índice mostrava estabilidade, depois de oscilar entre positivo e negativo.

Na agenda de amanhã, teremos o IPCa-15 de abril, prévia da inflação oficial que deve ficar próxima de 0,29%. Nos EUA, nenhum indicador de maior expressão.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado