Por Mariana Ribeiro

O que o dinheiro significa para você? Qual a importância dele na sua vida?

As respostas dependerão da forma como sua família e pessoas próximas lidavam com dinheiro.

Segundo a teoria Cognitivo Comportamental, da psicologia, nós criamos crenças sobre a forma que interpretamos os fatos que acontecem a nossa volta. Muitas vezes podem ser crenças limitantes inconscientes, que nos impedem de alcançar sonhos e metas que desejamos. Isso significa que não é clara a relação do que você sente ou pensa em relação a um tema, como o dinheiro. Então aquela dificuldade que você tem para guardar dinheiro depende do comportamento, pensamento, crenças e hábitos que vivenciou e interpretou na infância.

Qual a sua primeira memória sobre dinheiro? O que acreditamos e vivenciamos sobre dinheiro foi criado pela experiência que tivemos na infância, baseado no que escutamos, vemos e experimentamos como crianças e que são reafirmadas na nossa vida.

Você certamente já ouviu centenas de vezes essa fórmula: guarde mais e gaste menos, tenha disciplina no orçamento. A dificuldade para seguir são as crenças que temos e que muitas vezes nem sabemos de onde, mas sentimos o impacto na nossa vida. Por exemplo: se alguma vez você presenciou brigas em sua casa por causa de crises financeiras, você pode ter um certo desconforto para falar de dinheiro por interpretar que falar sobre esse tema gera conflitos e, como você não quer passar por isso, então acaba fugindo do tema.

Qual a mensagem que você está passando para seus filhos sobre dinheiro, mesmo que não intencional? As crianças nos veem falando sobre dinheiro e de como as decisões de compra são tomadas e notam/percebem como reagimos a situações financeiras. Mesmo que não falemos sobre isso, elas estão assistindo e absorvendo nossa atitude e estresse. Nossos hábitos e comportamentos são construídos em cima disso, influenciados por cultura, religião e comunidade.

Na estrutura familiar, o dinheiro é um dos temas mais recorrentes e geradores de conflito, porque além da quantidade de dinheiro, as pessoas têm formas de gerenciamento diferentes.
Segundo pesquisa sobre orçamento familiar feita pelo SPC Brasil e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) em parceria com o Banco Central, gastar mais do que se ganha é o motivo mais recorrente de conflitos. Entre os entrevistados, 38% afirmaram ter discussões por conta do hábito do parceiro ou parceira de gastar além de sua capacidade financeira.
Segundo o IPEA, fatores econômicos como desemprego estrutural e pressão social por sucesso são fatores sociais que impactam na taxa de suicídio publicada em 2010 – de acordo com a OMS, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo.

Educação financeira é aprender a usar um conjunto de ferramentas e treinar habilidades que permitam o indivíduo de tomar decisões conscientes e eficazes com os recursos financeiros que dispõem. É uma forma de sustentabilidade, pois o consumo passa a ser consciente, o que diminui compras desnecessárias por impulsos.

Ensinar seus filhos sobre dinheiro desde cedo pode ajudá-los a criar hábitos financeiros saudáveis que durarão a vida toda. Quanto mais conhecimento tiverem, mais decisões financeiras saudáveis poderão tomar.

 

Dicas

Poupar é um hábito. Como as crianças são mais visuais, a melhor maneira de ajudá-las a entender o conceito de poupança é usar um frasco transparente, em um lugar visível, para que elas possam ver o dinheiro sendo guardado e gasto em uma data posterior. Se receberem uma mesada ou um presente, mostre-lhes como economizar primeiro.
Mostre-lhes que as coisas custam dinheiro.

Você precisa fazer mais do que apenas dizer que tal brinquedo custa X reais. Ajude-os a economizar levando-as até a loja e entregando o dinheiro que está dentro do frasco ao caixa. Essa ação simples terá um impacto maior do que qualquer fala.

Compreender o que é necessidade versus o que é desejo. Quando começarem a reconhecer e questionar que outros podem ter mais do que eles, é porque chegou a hora de explicar a diferença entre desejos e necessidades.

Quando você está em uma loja e seus filhos estão pedindo por um novo videogame ou uma peça de roupa, converse com eles se é algo realmente importante para eles ou se é uma compra financeira impulsiva.

Mostrar o custo da oportunidade. Ajudar seus filhos a avaliarem decisões e entender os possíveis resultados: “Se você comprar esse videogame, não terá dinheiro para comprar aquele outro brinquedo”.

Aprender sobre dinheiro é uma busca contínua e há muitas lições a serem aprendidas no caminho.

Peter Buffet, músico e filantropo americano, em seu livro “A Vida é o que Você Faz Dela”, diz que é por isso que as pessoas são tão curiosas a respeito de seu livro. Somos bombardeados diariamente por essa ideia de que ter muito dinheiro acelera e garante a felicidade. E, mesmo que ela nunca venha, alguns pais continuam financiando seus filhos e imaginando o que deu errado. As crianças não aprendem a construir sua própria vida ganhando coisas. Dê a seus filhos acesso ilimitado a um cartão de crédito, e eles nunca conhecerão a sensação de ter conquistado algo por eles mesmos. Esse é o maior prejuízo que o dinheiro pode causar.

Mariana Ribeiro é analista financeira e analista de investimentos CNPI e estudou por quase 8 anos sobre a vida de Eufrásia Teixeira Leite, a primeira investidora brasileira.