My take:

  • As encomendas de bens duráveis nos EUA vieram acima do esperado na leitura cheia, mas com as leituras subjacentes mostrando decepções consideráveis nos dados, bem como revisões nas leituras anteriores.
  • Por dentro da parte subjacente (non-defense ex-air), destaque especial para shipments, que entra diretamente no cálculo do PIB e apresenta queda de -0.92% MoM. As revisões no net foram para baixo. Das últimas seis leituras, somente a de outubro apresentou variação positiva no índice.
  • Temos alertado de forma consistente para o fato de que o investimento nos EUA seguirá pressionado ao longo dos últimos meses e não sofrerá uma reativação somente em consequência da aprovação da “Fase 1” do Acordo Comercial entre EUA e China.
  • As incertezas remanescentes sobre a relação comercial entre EUA e China (dado a esperada deterioração após a eleição) e as incertezas relativas ao ciclo eleitoral deverão manter o avanço deste item bastante pressionado no curto prazo. Pela ótica da demanda no PIB, investimento seguirá contribuindo com zero ou negativamente.

Comentários:

  • As encomendas de bens duráveis nos EUA vieram acima do esperado na leitura cheia, mas com as leituras subjacentes mostrando decepções consideráveis nos dados, bem como revisões nas leituras anteriores:
    • Durable Goods Orders: 2.4% (esperado: 0.3%; anterior: -2.1%, revisado para -3.1%)
    • DG Ex-Transportation Orders: -0.1% (esperado: 0.3%; anterior: -0.1%, ver. para -0.4%)
    • DG Orders Non-def. Ex-Air.: -0.9% (esperado: 0.2%; anterior: 0.2%, ver. para 0.1%)
    • DG Shipments Non-def. Ex-Air.: -0.4% (esperado: 0.2%; anterior: -0.3%)
  • A surpresa no headline foi consequência de um avanço de 90.17% MoM em encomendas do setor de defesa, o que levou a parte de Bens de Capitais a avançar 5.86% MoM, apesar de ainda apresentar queda de -8.37% YoY.
  • Por dentro da parte subjacente (non-defense ex-air), destaque especial para shipments, que entra diretamente no cálculo do PIB e apresenta queda de -0.92% MoM. As revisões no net foram para baixo. Das últimas seis leituras, somente a de outubro apresentou variação positiva no índice.
  • A parte de encomendas, bastante elucidativa para previsões do item acima, também decepcionou o consenso do mercado, mostrando queda de -0.92% após dois meses consecutivos de variação positiva. A média móvel de três meses caiu para 0.046% após registrar 0.176% no mês anterior.
  • O destaque por dentro de orders subjacente foi gerado de forma bastante significativa pela parte de maquinário de construção (-9.5% MoM), por maquinário de transmissão de energia (-8.46% MoM) e por maquinário de mineração (-5.65% MoM). Com isso, o agregado de maquinário mostrou queda de -1.1% no mês e -0.83% no ano.
  • Por mais que possamos esperar uma reversão no curtíssimo prazo de maquinário, a tendência nos três itens destacados acima (equipamentos de construção, mineração e transmissão de energia), a tendência observada tanto na variação MoM como na variação YoY é bastante inequívoca e aponta para mais fraqueza neste componente.
  • Por outro lado, destaque positivo para o avanço de household apliances, que devolveu a queda dos últimos dois meses registrando +4.7% MoM, enquanto electrical equipment subiu 2.33% no mês após cair -1.84% no mês anterior.
  • Em suma, o dado apresenta leitura negativa. Temos alertado de forma consistente para o fato de que o investimento nos EUA seguirá pressionado ao longo dos últimos meses e não sofrerá uma reativação somente em consequência da aprovação da “Fase 1” do Acordo Comercial entre EUA e China.
  • As incertezas remanescentes sobre a relação comercial entre EUA e China (dado a esperada deterioração após a eleição) e as incertezas relativas ao ciclo eleitoral deverão manter o avanço deste item bastante pressionado no curto prazo. Pela ótica da demanda no PIB, investimento seguirá contribuindo com zero ou negativamente.
  • Para o FED, o dado ainda não altera o cenário base, mas adiciona evidencias na direção de que os riscos para o cenário são para baixo e não para cima.

Por Felipe Sichel, estrategista Modalmais