Três eventos determinam comportamento dos mercados

Ontem no final do pregão, a Bovespa conseguiu firmar tendência de alta acima dos 118.000 pontos, fechando com valorização de 1,17% e índice em 118.391 pontos, nove pontos abaixo da máxima do dia.

 

Hoje, mercados da Ásia encerrando com fortes quedas, Europa com comportamento misto e futuros do mercado americano trabalhando no campo negativo, com pequenas quedas. Aqui, seria preciso buscar novamente o recorde de pontuação obtido em 20/1 em 118.861 pontos, mas o comportamento externo inibe um pouco.

 

Três fatores mexem com os mercados na sessão de hoje. A expansão do Coronavírus, as repercussões da reunião de Davos e a decisão do BCE sobre política monetária com possível revisão de práticas. A safra de balanços também mexe pontualmente com os mercados e os destaques de hoje ficam por conta da American Airlines e Carrefour.

 

Segundo as estatísticas divulgadas já são 571 infectados pelo coronavírus e 17 mortes, mas bem espalhadas por diferentes países da Ásia e até nos EUA. Aqui está sendo descartada a possibilidade de uma mulher que chegou de Xangai. O governo da China isolou a província de Wuhan com 11 milhões de habitantes, impedindo a livre circulação. Isso fica complicado por conta do prolongado feriado (uma semana) do Ano Novo Lunar que começa nessa sexta-feira.

 

Sobre Davos, investidores acompanham declarações e entrevistas que ajudam a formar a tendência dos mercados de risco, onde predomina a tese do multilateralismo nas relações comerciais, principalmente. Já o BCE (BC europeu), pode começar a rever suas diretrizes de política monetária para a região, já que essa hipótese foi abordada pela presidente Christine Lagarde.

 

Em Davos, o presidente da Venezuela indicado Juan Guaidó, disse que enfrenta brutal perseguição do presidente Maduro e pediu que os países não afastem da olhar pela Venezuela. Aliás, os organismos multilaterais já deveriam ter tomada uma atitude sobre isso. No Japão, as exportações de dezembro anualizadas declinaram 6,3% e as importações com queda de 4,9%. Resultado disso, déficit na balança comercial de 152,5 bilhões de ienes.

 

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava nova queda de 1,60%, com o barril cotado a US$ 55,83. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,109e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,74%. O ouro e a prata mostravam quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

 

Aqui, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, disse ser possível votar a independência do Bacen e a lei cambial ainda no primeiro semestre de 2020, e a comissão mista da reforma Tributária deve ser instalada logo na primeira semana de fevereiro, após o recesso. Nossa visão é que isso seria pouco, pois no segundo semestre dificilmente alguma reforma ou ajuste substantivo deve ser aprovado, por conta das eleições.

 

Já o ministro Paulo Guedes segue “vendendo” o Brasil para investidores em Davos e diz que na sua percepção o otimismo com o país voltou. O IPC-S calculado pela FGV mostrou aceleração da inflação para 0,56% na terceira quadrissemana de janeiro, vindo de 0,48%. Na agenda do dia, alguns indicadores com capacidade de mexerem com o mercado, como a prévia da inflação oficial de janeiro pelo IPCA-15 e a arrecadação de 2019 pela Receita Federal. No exterior, o índice de indicadores antecedentes do Conference Board de dezembro e atividade regional de Kansas de janeiro.

 

Expectativa de que a Bovespa possa se manter em alta com a melhora externa neste início de manhã, mas vai depender do fluxo carreado para o mercado secundário. Dólar um pouco mais forte e juros em queda.

 

Bom dia e bons negócios!

 

Alvaro Bandeira

Alvaro Bandeira

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais