Na última sexta-feira, dia 18 de maio, o Banco Central anunciou reforço das operações de swap cambial a partir de 21 de maio (15.000 contratos) equivalente a US$ 750 milhões. Isso depois de ter ampliado anteriormente em mais 4.225 contratos. O objetivo claro é retirar a pressão e reduzir a volatilidade da moeda americana.

Ainda no dia 18 de maio, a moeda brasileira era a mais desvalorizada entre os países emergentes. Nós mesmos chegamos a falar que o Bacen deveria ter sido mais incisivo, coisa que acabou acontecendo no final do dia. Além de ampliar o lote de swap, o Bacen ainda deixou em aberto a possibilidade de realizar mais operações, caso sua análise indique a conveniência.

Alguns fatos merecem ser explicados. Nossas reservas internacionais são da ordem de US$ 380 bilhões e operações de swap cambial não mexem nesse estoque. Já os leilões de linha que podem ser usados, mexem nas reservas, mas seu efeito é bem mais efetivo. Destacamos ainda que nas últimas estatísticas as instituições financeiras tinham reduzido a venda cambial para algo próximo de
US$ 7 bilhões. Além disso, anteriormente, o Bacen soube muito bem gerir as operações de swap cambial reduzindo bastante o nível de exposição.

Com efeito, agora o Bacen tem espaço para ser mais diligente nas operações de reposicionamento, se assim a urgência de retirar a volatilidade do mercado indicar. Com isso, queremos dizer que há espaço para interferências no câmbio (nenhum país tem o câmbio 100% flutuante, e faz interferências espúrias), bem antes de estarmos correndo algum tipo de perigo.

De outra feita, apesar de termos uma economia ainda desajustada, não vemos razões suficientes para a incidência de ataques especulativos de vulto. Por via de consequência, o Bacen pode agir de forma mais contundente, aparentemente sem risco de perder valor significativo de suas reservas. Porém, há um elo frágil em tudo isso.

Nossas reservas não foram constituídas por excedentes exportados, mas a custo de ampliação do endividamento interno. Segundo as últimas estatísticas, o endividamento público estava em cerca de R$ 3,6 trilhões, algo próximo de US$ 1,1 trilhão. Muito alto para um país emergente, representando aproximadamente 75% do PIB brasileiro. Mas numa situação de emergência, talvez indique o uso mais forte delas para evitar ser colocado contra a perde pelos agentes do mercado.

O presidente Ilan Goldfajn e sua equipe conhecem sobejamente os meandros dos agentes do mercado e sabem que precisam retirar a volatilidade. Pior que a tendência de alta ou de queda da moeda é a volatilidade, pois isso deixa exportadores e importadores inseguros e limita o ingresso de recursos no país. A época já não é propícia, pois estamos em fim de mandato, com eleições se aproximando, quase interinidade das equipes e com investimentos rareando por conta de tudo isso.

Mas o Bacen certamente saberá reagir a contento para minorar esses efeitos, dado que ficou bem crível saber agir com competência. Lutar contra bancos centrais é quase sempre uma tarefa inglória, muito mais nas condições de gestão atual e inflação baixa.

Portanto, muito cuidado se a vontade for de especular contra o Bacen.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais