A votação em primeiro turno das eleições majoritárias foram melhores do que previstas em todas as pesquisas de intenção de voto e de boca de urna para o candidato Jair Bolsonaro. Não só pelos 46% de votos obtidos, contra 29% de Haddad, mas por ter tirado seu partido “nanico” Partido Social Liberal (PSL) na Câmara para a segunda maior bancada, só perdendo para o próprio PT, que ainda assim encolheu.

Além disso, podem os considerar atitude conservadora dos eleitores em praticamente todas as regiões e uma característica de votos antipetista, o que convém, novamente, ao candidato Bolsonaro. Podemos lembrar ainda que apenas oito vagas do Senado foram preenchidas com reeleição. Ficaram de fora cabeças coroadas do ancien régime, como o próprio presidente do senado, Eunício Oliveira.

O PT perdeu ao não conseguir emplacar Lindberg Faria no Rio de Janeiro e principalmente a ex-presidente Dilma no importante colégio eleitoral de Minas. Alias, em Minas Gerais mais uma derrota importante com Fernando Pimentel não chegando ao segundo turno. Tivemos a participação mais expressiva do partido Novo, com o candidato Zema chegando em primeiro lugar para o segundo turno contra Anastasia. Tudo isso implica em dizer que Fernando Haddad perdeu palanque fundamental em Minas Gerais para competir no segundo turno.

Deve ser por isso que a primeira movimentação de Haddad após o resultado será visitar o ex-presidente Lula na carceragem de Curitiba para traçar estratégias. Estratégias que claramente não deram certo no primeiro turno. Haddad terá que fazer movimento em direção ao centrão, e isso vai ser bem complicado diante das diretrizes traçadas por Lula e Dirceu (esse solto). Terá que fazer as pazes com os mercados e banqueiros, outro ponto de difícil negociação. Além disso, acenos com equipes mais liberais já não deram certo no passado e, agora, as chances são menores ainda com a perda de bancada do partido. Basta lembrar o insucesso atribuído à Joaquim Levy na condução da política econômica.

Bolsonaro, por sua vez já tem um liberal que desde o início pode ser seu “Super Ministro/Subpresidente”, caso cumpra declarações de manter somente 15 ministérios. Terá somente que moderar seus discursos, conter alguns discursos de seu vice. E do próprio Paulo Guedes também, para não cair em esparrelas do concorrente e acenar para alguns partidos e lideranças. Tem a seu favor boa mudança no quadro político e o fortalecimento de seu partido no cenário nacional.

Há certamente algumas apostas que vão ficar martelando. Quanto tempo Paulo Guedes irá durar em seu governo, com ambos caracterizados como “pavio curto”? quais projetos liberais para a economia serão implementados, e com que velocidade e profundidade? Conseguirá Bolsonaro formar base de apoio fiel para esses projetos de ajuste mais liberais? As novas bancadas vão seguir orientações das lideranças dos partidos?

Bom, de qualquer forma, começará a ser explicitado a partir da próxima sexta-feira quando começa a campanha do segundo turno pela TV. Bolsonaro larga mais confortável, mas Alckmin tinha quase metade do tempo de TV e isso não o ajudou. Bolsonaro não tinha nenhum e deu no que deu. Além disso, teremos novos debates com Bolsonaro mais debilitado que Haddad e sendo atacado. Vamos ver como reage.

De qualquer forma, o efeito Bolsonaro ficou gravado na performance dos mercados em 8 de outubro. Bovespa subiu mais de 6,0% vazando 87.300 pontos e o dólar chegou a mostrar queda de quase 4,0% e cotado a R$ 3,70%. Tudo isso pode ser mantido se Bolsonaro seguir empolgando eleitores e segmentos da sociedade, e a Bovespa pode cravar novos recordes acima de 90.000 pontos.