Efeito dobrado das pesquisas

Hoje o mercado local reeditou a sessão de ontem só que com variações mais comedidas na Bovespa, dólar e também nos juros. Novamente a explicação foi dada por pesquisa de intenção de voto, produzida pelo Datafolha e anunciada no início da noite de ontem.

Em nossos comentários de abertura, falamos que o efeito seria na mesma direção, já que a pesquisa Datafolha permitiu a mesma conclusão da anterior. Ou seja, Bolsonaro subindo na intenção de voto, com rejeição caindo e já na frente no segundo turno. Ao contrário, no caso de Haddad, queda na intenção de voto, aumento forte a rejeição e já perdendo no segundo turno, apesar do empate técnico.

Dissemos ainda que seria preciso que o fluxo de recursos para a Bovespa teria que prosseguir para absorver realizações de lucros de curto prazo, depois da forte alta de algumas ações ontem. Mesmo raciocínio para a taxa cambial, até por conta do dólar mais forte no exterior. Foi exatamente isso que vimos. Bovespa forte, mas perdendo um pouco de tração no correr do dia e dólar recuperando cotação depois de bater R$ 3,84 alto.

No cenário externo, o presidente do FED de Chicago, Charles Evans, disse concordar com mais uma alta de juros nos EUA ainda em 2018 (dezembro), mas falou ainda em mais duas em 2019, quando o esperado são três ou quatro. O presidente do FED de Filadélfia disse que a taxa neutra está ao redor de 3,0% e que o desemprego deve cair até 3,5%, antes de voltar a subir. Ainda nos EUA, o PMI de serviços de setembro caiu para 53,5 pontos (composto em 53,9 pontos) e o ISMI de serviços em alta para 61,6 pontos

Os estoques de petróleo americano da semana anterior cresceram 8,0 milhões de barris e a taxa de utilização de refinarias ficou estável em 90,4%. O FMI mostrou estudo onde a mediana da relação dívida/PIB dos governos subiu de 36% antes da crise de 2008, para algo como 52% nos dias que correm. Considerou que países emergentes são mais suscetíveis à resistência da inflação.

O Institute of International Finance (IIF) mostrou os desequilíbrios fiscais citando Brasil, Argentina, Turquia, Índia e África do Sul. No mercado, o petróleo WTI negociado em NY mostrava, faltando ainda algum tempo para encerramento, alta de 1,66% e barril cotado a US$ 76,48. O euro era transacionado em queda para US$ 1,152 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 3,14%, em forte alta. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto em Chicago.

No Brasil, foi bom ouvir as declarações do ministro Guardia sobre a importância de não negar o déficit fiscal e buscar soluções. Disse ainda que a reforma da Previdência é o primeiro passo e o teto de gastos muito importante. A ideia seria do governo Temer antecipar medidas coordenadas com o próximo presidente. O Brasil não pode perder mais tempo.

Hoje foi dia de fechamento em alta dos mercados da Europa, com Londres subindo 0,48% e Paris com +0,43%. Frankfurt não operou por conta de feriado. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,60% e 0,84%.

Como fechamos esse comentário antes do encerramento, não divulgamos o fechamento dos mercados no Brasil e nos EUA.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais