Todos conhecem a frase “Brasileiro, profissão esperança”. Pois bem, a esperança parece estar começando a florescer, pelo menos no meio dos economistas que não comungavam na cartilha de Mantega, Arno e Cia. Ou seja, na nova matriz econômica do governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Nesse momento, todos tentam incorporar o discurso de Temer e seu ministro Henrique Meirelles, ao mesmo tempo em que enxergam melhoras futuras. É bem verdade que essa melhora só estaria num futuro mais distante, perpassando pelo ano de 2017 e consolidando somente em 2018. De qualquer forma, buscam indicações de mudança da situação presente.

Poderíamos começar lembrando que a governabilidade melhorou bastante nesse um mês e pouco de Temer e, que algumas questões pendentes, foram resolvidas à contento. O déficit do orçamento de 2016 em R$ 170,5 bilhões, as discussões havidas com governadores sobre equacionamento das dívidas, o socorro feito ao Rio de Janeiro sem grande grita dos representantes dos Estados e mudanças sugeridas no marco regulatório do pré-sal, Mercosul e outros.

Temer e ministros trabalham como se seu governo fique até 2018, apesar da procrastinação e demora em seguir com o processo de impeachment de Dilma, agora estimado para o final de agosto próximo. Os economistas trabalham também com outras evidências macro.

Indicadores antecedentes e coincidentes melhorando, índice de atividade industrial também parando de cair e voltando a melhorar, saldo comercial seguindo forte a cada mês e déficit em conta corrente folgadamente coberto pelo IDP (Investimento Direto no País). De outra feita, o governo começa a se debruçar sobre as parcerias privadas melhorando a abordagem e taxa interna de retorno dos projetos e adia o aumento da carga tributária.

Duas coisas parecem andar fora dos trilhos. A inflação reluta em desacelerar ao ponto de induzir reduções na taxa básica de juros, e a não abordagem do rombo nas contas públicas, derivado principalmente da Previdência Social. Temer e Meirelles estão cientes que esses dois fatores seriam de extrema importância. A inflação por indicar e demonstrar para a classe política que as medidas estão dando certo e a Previdência para acelerar o equilíbrio fiscal.

Ressaltamos que estamos falando ainda de muitas complicações no curto prazo e um futuro melhor, caso a situação se mantenha dentro dos eixos esperados. De certa forma, todos estariam dispostos a assimilar um presente complicado desde que o futuro fosse promissor com retomada do crescimento econômico e emprego, melhora de salários e produtividade e maior ocupação da capacidade instalada (não requereria grandes investimentos inicialmente) na indústria.

Então o que pode dar errado em tudo isso. Primeiro, é preciso que Temer continue a ter o apoio do Legislativo. Nesse aspecto, há que se coadunar o tal “centrão”, calar a oposição e cooptar apoio distribuindo alguns cargos. Ainda assim, esse tal presidencialismo de coalisão acaba sendo muito complicado de administrar, segundo o próprio Temer. Questões como Previdência em véspera de eleições não combinam muito, né? A operação Lava Jato pode continuar atingindo políticos ligados ao novo governo e o próprio presidente em exercício.

Em outra abordagem, o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) pode atrasar a recuperação econômica global afetando diretamente emergentes exportadores de matérias primas como o Brasil, e dificultando a atração de investimentos pela ampliação da aversão ao risco.

Apesar desses e outros senões, muita coisa terá que dar certo para encurtar prazos. Porém, a situação é tão dramática que qualquer coisa que se faça em termos de correção de rumo produzirá bons resultados. Então se é assim, cabe a todos nós ajustar velas para capturar logo esses novos ventos que podem estar começando a chegar.

Afinal, Nietzsche dizia que “a vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com a mesma coisa como se fosse a primeira vez”.