Por que e como a Lava à Jato, impeachment de Dilma e a condução coercitiva de Lula fazem a bolsa subir?

Para aqueles que não são iniciados nos meandros do mercado de capitais pode parecer estranho que exatamente no período de maior pico do estresse político, possivel impeachment e até da economia, a bolsa brasileira tenha registrado a melhor performance dois últimos tempos e com volumes elevados, com o dólar em forte retração e taxa de juros também em queda. Como explicar? Certamente é preciso fazer uma releitura dos eventos e fatos.

Não é segredo para ninguém que os agentes dos diferentes segmentos do mercado desejam decisões de política econômica e monetária mais críveis, e que o governo, qualquer que seja ele, adquira maior credibilidade e consiga governo. As críticas e inação só fazem crescer nesse segundo mandato da presidente Dilma e, com a possibilidade de impeachment da presidente reforçada pelos eventos, os mercado passaram a trabalhar com mudanças positivas. Todos entendem que o processo pode ser demorado e com marchas e contramarchas, mas como na realidade trabalham com expectativas, isso é perfeitamente aceito pelos investidores.

Para explicar ainda melhor, levamos em consideração que muitos investidores e especuladores vinham trabalhando com operações vendidas Brasil e Bovespa, e essa brusca mudança de atitude obrigou ações na direção inversa, ou seja cobertura de posições. A necessidade de rápida reversão explica em boa parte a pressão compradora sobre as ações líderes, que de resto passam a contar também com maior afluxo de recursos que estavam fora do mercado. Tanto isso é verdade que em somente dois dias do mês de março os investidores estrangeiros alocaram R$ 1,7 bilhão, do total de ingresso do ano de R$ 3,9 bilhões.

Afora esses fatos ligados à operação Lava Jato, possibilidade crescente de impeachment da presidente Dilma e ainda os eventos ligados à delação premiada do senador Delcídio do Amaral e condução coercitiva do ex-presidente Lula, familiares e amigos para depoimentos; ainda contamos com o auxilio luxuoso do mercado acionário internacional em alta, decorrente de recuperações de preços das commodities (destaque para petróleo e minério de ferro), tendo como cenário a expectativa que diferentes bancos centrais no mundo e governos farão novas rodadas de estímulos e flexibilização monetária.

Isso pode começar na próxima semana com a reunião do BCE (BC europeu) , ampliando a taxa negativa de depósito e ampliando o leque de compras de títulos de países da região do euro, ou mesmo da China, com a reunião que ocorre nesse final de semana do Congresso Nacional do Povo, onde são divulgados planos e metas a serem atingidas.

Resultado disso, na semana entre 29/02 e 04/03 a Bovespa registrou valorização de incríveis 18,01%, deixando o ano de 2016 já positivo em 13,3%, enquanto o mercado americano observou modesta alta pouco superior a 2%.

Portanto podemos atribuir o comportamento dos mercados na semana estritamente aos meandros da política e possibilidade de mudanças, exemplo: possibilidade crescente de impeachment da presidente Dilma. Apesar disso, o quadro problemático da economia segue seu curso e o quadro politico tende a piorar um pouco mais, Para que essa recuperação havida seja mantida vamos precisar de fluxos cada vez maiores canalizados para a Bovespa, suficiente para absorver realizações de lucros de curto prazo e dar seguimento ao processo de alta.