Ainda nem bem encerramos o mês de março de 2018, e já podemos dar o ano como encerrado, no que versa sobre ajustes na economia. Além de medidas estruturantes capazes de deixar legado mais tranquilo para o próximo presidente e para os cidadãos brasileiros. Podemos decretar que o Congresso Nacional não deve aprovar (ou negar) nada de importante, já que os parlamentares estarão preocupados com reeleição. Alguns querendo manter a qualquer custo o fórum privilegiado, já que a Lava Jato está “mordendo seus calcanhares”.

A exceção fica por conta do Bacen que pode ainda promover algumas mudanças na estrutura da taxa de juros por conta da inflação renitentemente em queda nas previsões dos analistas, e uma ou outra medida que independa do concurso do Congresso e, sim, do executivo. Só para mostrar que toda regra tem exceção, pode ainda sair alguma coisa referente à reoneração da folha de pagamentos. Ainda assim bem aquém do que o governo esperava.

Em compensação, como sempre ocorre em anos de eleição, será possível assistir liberações de emendas de parlamentares e gastos em elevação (mesmo com o teto de gastos imposto), principalmente se Michel Temer for mesmo candidato nas eleições de final de ano, já que ele detém o poder da “caneta” para liberar recursos para sua base de apoio. E com o “garante” de que pode seguir no cargo, sem precisar se desincompatibilizar.

Mas por enquanto o quadro de pré-candidatos é suficientemente amplo para inibir qualquer previsão, e ainda bastante indefinido. Mesmo com quase nenhuma chance de sair candidato, o ex-presidente Lula causa turbulência. Os analistas terão que avaliar sua força de transferir votos para um “novo poste”, ou se o seu PT apoiará outro candidato qualquer, digamos Ciro Gomes.

Teremos de avaliar o comportamento explosivo de Bolsonaro, principalmente se Joaquim Barbosa sair candidato. A tendência seria de dividir votos daquela ala mais radical que deseja segurança ou o “verde-oliva”. Temer ou Meirelles no MDB (dependendo das chances e rejeições de cada um), ou os dois juntos (Meirelles de vice); ou ainda Meirelles tendo que ir para um partido menor, com chances bem mais reduzidas.

Bolsonaro que vinha subindo parece ter chegado no limite e agora declina no norte e nordeste. Além disso, quer fazer seu vice-presidente na bancada da bala. Temos ainda aqueles outros candidatos que só estão tentando vender mais caro seus apoios com alguns segundos de tempo de TV e poucos correligionários apoiando. O Partido Novo provavelmente conseguirá crescer um pouco, mas Amoedo não terá chances reais na corrida presidencial. É só para marcar posição.

A instabilidade de Ciro Gomes divide o PT num possível apoio. Será difícil fechar questão em seu nome e isso parece ter ficado claro no noticiário político. Marian Silva carrega a pecha de sumir no restante dos anos, mas ainda assim tem eleitores fiéis. A candidatura que parece estar mais forte nesse momento é a de Geraldo Alckmin. O governador de São Paulo já anunciou seu coordenador de campanha Tasso Jereissati e membros da coordenação econômica, elencando Pérsio Arida e Armínio Fraga, dois nomes muito bem considerados (Bolsonaro irá de Paulo Guedes).

Teremos muitas disputas para o senado (Dilma provavelmente seria candidata já que manteve direitos políticos), muitos não podendo perder o fórum privilegiado, e outros até saindo candidatos em nível mais baixo (de senador para deputado, por exemplo), pelo mesmo motivo, mas contando com o fato de serem nomes conhecidos.

Ou seja, muito ainda vai acontecer na área política ao longo desse ano influenciando os mercados de risco. Porém, na área econômica, nada de expressivo deve ser aprovado, o que nos remete ao ano de 2019. Ano onde muito terá que ser feito logo nos primeiros meses. Afinal, existem problemas concretos para fechamento do orçamento de 2019 sem ferir teto de gasto e, principalmente, a regra de ouro.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais