Brasil Urgente!

É como se diz: parece muito tarde para o governo e a presidente Dilma reagirem, e ainda é muito cedo para o vice Temer assumir ares de presidente. Parece pouco provável que a presidente Dilma possa ter sucesso na não abertura de processo pelo Senado Federal, ocasião que obrigaria seu afastamento do governo.

Afastada pelo prazo máximo de seis meses, dificilmente teria condições de voltar, mesmo considerando todos os questionamentos sobre não existirem provas de seu envolvimento com a corrupção, pedaladas fiscais e mentiras eleitorais. A fala mais amistosa da presidente logo após a Câmara ter aprovado a admissibilidade do processo de pouco adianta. Contra a presidente existem queixas sobre não cumprimento de acordos, maus tratos com assessores e ministros, e ainda situações que podem ser elencadas pela operação Lava Jato, além das já relatadas quando de sua passagem por ministério, presidência do conselho da Petrobras e outras ligadas ao financiamento de campanhas.

Por outro lado, parece certo que ainda não é tempo de Temer assumir ares de presidente, já que o processo ainda não foi acatado pelo Senado, e o fato do processo prometer ser longo, que segundo Renan Calheiros pode nos levar até o mês de setembro, às vésperas das eleições municipais.

Um governo alongadamente provisório é tudo que o Brasil não precisava. A situação da economia é traumática, e o que é pior, em franca deterioração, exceção somente para a taxa de inflação cadente e contas externas (melhor desempenho da balança comercial), ainda assim por motivos que diríamos não serem os melhores.

Então o que poderemos ter? na nossa visão podemos passar por um vácuo de poder. Aparentemente a presidente não faria o gesto magnânimo de renunciar, o que abreviaria todo o processo, com Temer forçando um governo de transição e não provisório. Esse dever cívico parece não existir, até por conta de pessoas próximas a presidente que poderiam ser presas por perderem o tal foro privilegiado. Seu espírito guerrilheiro sempre destacado, também inibiriam essa postura grandiloquente que a história brasileira poderia até destacar. Porém, isso também não se coaduna com o desejo de poder do partido que a reelegeu.

Na outra vertente, apesar da baixa probabilidade de retorno de Dilma ao poder, que figuras emblemáticas aceitariam figurar num governo provisório que poderia ser dissolvido em seis meses? Ou seja, Temer pode encontrar dificuldades em formar seu ministério, ainda que reduzido em cargos. Porém, não dá para pensar que mudanças significativas deixaram de acontecer. É impossível pensar o presidente Temer despachando com Jacques Wagner, Edinho Silva ou Mercadante; ou ainda com outros ministros escolhidos por outros critérios que não o técnico. Isso ficou ainda mais flagrante quando foi aberto o balcão anti-impeachment comando pelo ex-presidente Lula.

Isso implica dizer que formamos um Executivo de baixa qualidade que teria que ser muito modificado. Aí surge outra questão: como mudar rapidamente os quadros num governo que seria provisório?

Estamos falando de outros órgãos como Bacen, BNDES, bancos públicos, muitas secretarias de governo e empresas públicas; incluindo a própria Petrobras, que assim como o Brasil exige mudanças urgentes. Do jeito que pode ficar, Dilma não governará com o Congresso contra e Temer não mandará.

Nesse momento só nos resta torcer para que nossos dirigentes sejam iluminados pelos deuses e encontrem soluções definitivas para que o país possa funcionar normalmente, e que as mudanças de rumo na direção correta aconteçam. Ainda assim vamos coletar alguns anos de obscurantismo.

Por Alvaro Bandeira

Economista Chefe home broker modalmais