A semana inaugura a dança das cadeiras no governo Temer com o cálculo de que quatorze ministros podem deixar o governo, incluindo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Até então o grande fiador das reformas estruturantes e ajustes da economia, que acabou ficando pela metade.

No final de semana, algumas trocas já foram anunciadas, como a do bom ministro (mas sempre meio interino) Dyogo Oliveira, e o ministro da Saúde. Para a Saúde, irá o atual presidente da Caixa Econômica, Occhi, enquanto Dyogo irá integrar a presidência do BNDES. Dyogo terá como principal medida pacificar o banco e devolver aos cofres do Tesouro R$ 1000 bilhões que ainda devem. Isso será fundamental para o governo equilibrar o orçamento de 2018 e não ferir a regra de ouro, que diz que o governo não pode se endividar para cobrir gastos correntes.

Fica muito difícil equilibrar o orçamento. Basta lembrar que no orçamento de 2017 pouco mais de 93% foram gastos com despesas obrigatórias. Porém, com essas devoluções do BNDES ao Tesouro (no total no ano R$ 130 bilhões), o orçamento de 2018 não traz muitos problemas, situação absolutamente diversa do que pode ocorrer no ano seguinte de 2019 com orçamento herdado pelo próximo presidente.

A orientação básica do governo, segundo a imprensa, é escolher ministros com viés técnico, mas que disponham de algum cacife político. A escolha do novo ministro do Planejamento, Esteves Conalgo, deve gerar algum estresse na equipe econômica, já que o nome de Mansueto de Almeida estava bem cotado e acabou atropelado por Romero Jucá e pelo próprio Dyogo Oliveira.

Para o cargo de Henrique Meirelles ainda não temos o nome do sucessor, com o governo argumentando que se deve ao fato de Meirelles ainda não ter saído. Contudo, pelo que consta na imprensa, a filiação de Meirelles ao MDB deve ocorrer em 03 de abril. A filiação sacramentaria sua possível candidatura à presidência ou mesmo de vice de Michel temer, caso o chefe possa se candidatar. Para o Lugar de Meirelles, o mais cotado é Eduardo Guardia. Que sofre com a características de ter pouco jogo de cintura para liberar recursos, o que em épocas de eleição parece ser pecado grave.

Temer, por sua vez, anunciou a possibilidade de candidatura, mas ela restou abalada pela prisão de seus fiéis amigos em decreto que teria beneficiado a empresa Rodrimar e acrescentada do Grupo Libra por Eduardo Cunha. Além disso, Michel Temer precisaria ter melhor aprovação de seu governo e gestão para ser efetivamente um candidato de expressão. Meirelles na vice-presidência acrescentaria muito pouco.

Para mostrar que segue trabalhando mesmo com tudo isso, o governo deve fazer anúncios na área econômica durante a semana, mas via de regra tem sido meio anticlímax, requentando algumas medidas ou aprovando mudanças francamente cosméticas sem ir ao cerne da questão, como por exemplo a reforma da previdência. Que ficou perdida nas indefinições das duas denúncias contra Temer, e em vias de sofrer a terceira.

Como se vê, a situação política segue ainda bastante indefinida, e tem ainda outra questão importante. O período embute o julgamento do habeas corpus (HC) de Lula suspenso no STF que pode se prolongar até 04 de abril (ou mais). Porém, existe grande mobilização para que a prisão após segunda instância de julgamento seja mantida, sendo que destacamos além da mobilização por redes sociais pró e contra Lula, a expressiva mobilização de promotores e juízes para que o STF mantenha a votação anterior de prisão em segunda instância.

O cenário agrega possibilidade de grande volatilidade aos mercados de risco e um pouco no desempenho de mais longo prazo da economia, mas o quadro de mercado segue sendo positivo (no nosso entender) para constituição de posições progressivas, com horizontes temporais mais dilatados e boas opções selecionadas de investimento.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais