O futuro do Brasil depende da solução do imbróglio político. Nesse aspecto, a situação parece somente piorar no curto prazo com as possíveis saídas cada vez mais complicadas e que podem gerar constrangimento ainda para a sociedade.

É mais ou menos como aquele ditado “que em casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Na semana passada, já tivemos quebradeira e tentativas de incendiar prédios públicos, obrigando o presidente Temer a convocar o exército para manter a ordem pública. Felizmente no dia seguinte o decreto foi revogado.

Apesar disso, dentro do parlamento, a situação se complicou também. A oposição tenta de todas as formas barrar tudo que se pretenda votar e toma de assalto mesas diretoras, briga em plenário e faz muito barulho. Tanto é verdade que deu combustível para sindicatos e novas demonstrações contrárias à permanência de Temer no comando da nação. Muito embora a presença em Copacabana (mesmo com show de artistas famosos) tenha sido menor que o previsto, ainda assim, foi expressiva e pode ganhar força.

O Legislativo está em polvorosa. O presidente Temer trocou o ministro da Justiça pelo ministro da Transparência de forma surpreendente, e manteve Osmar Serraglio na transparência e, com isso, manteve foro privilegiado para seu principal assessor Rocha Lures, por esse ser suplente de Serraglio que poderia voltar para a câmara e fazer o “homem rápido da mala”, perder o foro. Seguinte nessa linha, ainda colocou no Ministério da Justiça um titular que já manifestou contrariedades com a operação Lava Jato (Torquato Jardim). A Polícia Federal criticou as trocas de comando.

No Judiciário, o noticiário indica que o ministro do STF, Edson Fachin, ficou sem apoio de boa parte de seus pares, só sendo defendido pelo ministro Barroso. Gilmar Mendes voltou a dizer que o STF e STE não são para raios do setor político, dizendo que devem resolver antes os imbróglios em curso. Aliás, é próxima a data de julgamento da chapa Dilma-Temer e, um pedido de vistas, poderá alongar ainda mais os prazos.

Já que falamos de prazos, a situação econômica vai piorar na razão direta do alongamento de soluções para o presidente Temer e governabilidade do país. As evidências disso são inúmeras. Agências de classificação de risco estão piorando suas visões sobre o país. E reduzindo classificação e perspectivas. Na semana que passou, a Moody’s (uma das três mais importantes agências de rating do mundo) rebaixou a perspectiva de nosso rating BA2 de estável para negativa. A pesquisa Focus, divulgada em 29 de maio, ampliou a taxa de inflação que caiu por 11 semanas seguidas e reduziu a projeção do PIB. A continuidade da grave situação política vai dar margem para novas reavaliações negativas.

Do lado técnico, tivemos a primeira defecção da presidente do BNDES e é possível que outros técnicos importantes adotem o mesmo caminho pela impossibilidade de aprovação de medidas absolutamente fundamentais para reconduzir a economia para caminhos menos tortuosos. O governo e parte do grupo de apoio de Temer tem que dar tons de normalidade à situação, mas todos sabem que as votações sofreram impactos no tempo e/ou serão muito desidratadas.

É como dissemos: a situação depende das soluções que forem adotadas e do brado das ruas. Um grande “acordão” que anistie presidentes pode desencadear reações populares dentre as mais diferenciadas, pois teria que anistiar Lula e Dilma enfraquecendo a Lava Jato; tida como a grande salvação do Brasil.

Não há mais espaço para decisões erradas e sem foco na melhora do país e lisura de governantes. É hora de pensar no Brasil do amanhã e parar de olhar para a salvação de alguns poucos.

Bem atual a frase do falecido Paulo Francis: “O Brasil está se transformando em um país de lunáticos onde os pacientes assumiram o controle”.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais