Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

Está complicado apurar a direção que os mercados de risco podem trilhar em todo o mundo, e no Brasil não é diferente. O pressuposto básico é que as economias desenvolvidas se preparam para normalizar suas políticas econômicas, o que em tese seria algo nocivo para os mercados de risco principalmente de países emergentes já que o fluxo de recursos estaria mais restrito e com possibilidade de migrar para países desenvolvidos.

Ocorre que existe um fator que pode desequilibrar essa situação: até que ponto teremos ou não um embrião de guerra comercial que chegue a afetar a recuperação da economia global? Essa incerteza tem sido, sem exceção, lembrada por todos os dirigentes de bancos centrais e experts em economia, especialmente de países desenvolvidos. Podemos citar o próprio presidente do FED que em declaração na semana passada expressou preocupação com a aceleração da alta de juros podendo trazer de volta a recessão.

Outros dirigentes regionais do FED seguem sinalizando três altas de juros pelo FED em 2018, ao invés das estimativas de agentes do mercado que projetam quatro altas. Vários são os dirigentes do FED que sinalizam simetria da inflação, o que significa dizer que andaram por muito tempo abaixo da meta, e agora aceitariam que ficasse algum tempo acima, desde que não muito longe da meta de 2,0%.

O presidente do FED Jerome Powell parece comungar essa tese, apesar de se preocupar com a fraca produtividade da mão de obra, em situação de pleno emprego da economia americana. Fato é que o FMI lançou novas projeções da economia global mantendo o crescimento de 2018 em 3,9%, mas reduzindo o PIB dos países desenvolvidos para 2,4% (anterior em 2,5%) e jogando incertezas sobre 2019 com possível acirramento das disputas comerciais. Além disso, advertiu que na sua visão, o crescimento dos dois últimos anos começa a estancar e que os EUA estão crescendo acima do potencial por força de políticas fiscais mais agressivas e mercado de trabalho forte.

Manteve o PIB da China com projeção de crescimento de 6,6%, o que seria uma desaceleração dos 6,8% verificado no primeiro trimestre e 6,7% do segundo trimestre, recentemente divulgado. Na visão do FMI, o Brasil está desacelerando bastante por conta da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio último e pelas incertezas políticas. Sua projeção de crescimento do Brasil em 2018 caiu para 1,8% (possivelmente ainda alta), vindo de 2,3% anterior e mantendo 2019 com previsão de 2,5%. Mas é justo em 2019 que residem, segundo nossa avaliação, mais incertezas.

Assim, no exterior muitas incertezas do caminho a ser trilhado pelas economias e o que poderá significar em mudanças na política monetária. É nossa percepção que em função dos riscos envolvidos os dirigentes de bancos centrais estão suavizando seus discursos, apesar de identificarmos que as discussões sobre altas de juros vão continuar. Isso agrega volatilidade ao comportamento dos mercados.

No Brasil, a situação permanece quase que totalmente em aberto. Como será encaminhado o processo político que entrou na reta final depois da Copa do Mundo? quais serão exatamente os candidatos que surgirão no processo, e quem terá chances concretas? que tipo de coligações teremos entre os partidos e se abrangerão todos os segmentos (presidente, deputados e senadores)? quais os projetos dos candidatos que possivelmente estarão no segundo turno?

São todas estas questões que não podem ser respondidas agora, com um mínimo de certeza. Tudo torna os mercados completamente sem direção no curto prazo. Portanto, bom momento para fazer suas apostas, segundo o credo, para aqueles que gostam de risco e que buscam lucros extraordinários. Caso sua leitura seja vencedora.