Dia terrível

O dia foi terrível para todos os mercados de risco no mundo. Logo no início da semana, já tínhamos tido uma prévia, com a bolsa americana caindo mais de 3,0% nos diferentes indicadores. Hoje não foi diferente e todo os demais mercados do mundo. Dois fatores se destacaram: as constantes complicações do Brexit e proximidade de decisão e novamente a expectativa dos agentes do mercado com relação à desaceleração global e da economia americana. Hoje a aversão ao risco esteve sempre presente e não poupou ações câmbio e juros.

Nem mesmo a queda do estoque americano de petróleo na semana anterior serviu para aplacar nova queda do óleo no mercado internacional. Hoje foi dia de reunião dos membros da OPEP, com muitas discussões e a ideia de membros influentes em cortar 1,0 milhão de barris para equilibrar oferta e demanda, principalmente diante do quadro de desaceleração. Alguns membros não querem isso, assim como Trump, que teoricamente não tem muita influência.

Mas o fato que pesou como “gota d’água” foi mesmo a notícia da prisão da filha do fundador da gigante chinesa, Huawei, no Canadá. A prisão foi pedida pelos EUA por terem burlado as sanções impostas ao Irã. A percepção dos investidores é de que o fato poderia azedar ainda mais as difíceis relações entre os EUA e a China no trato das questões comerciais de tarifação e outros vetores igualmente importantes. Os mercados desde a madrugada reagiram com fortes perdas.

Nos EUA, dia de muitos indicadores. O saldo da balança comercial americana mostrou déficit em alta recorde para US$ 55,5 bilhões em outubro, com a China mostrando superávit contra os EUA de
US$ 43,1 bilhões, também recorde. Só reforça a postura de Trump. As encomendas à indústria de outubro encolheram 2,1%, marginalmente acima da previsão, e os pedidos de auxílio desemprego encolheram 4.000 posições na semana anterior para 231.000.

No mercado internacional, faltando pouco para encerramento, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 3,20%, com o barril cotado a US$ 51,20. O euro era transacionado em alta para
US$ 1,139 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 2,86%, afetado pela aversão ao risco global. O ouro estava em alta na Comex seguindo a mesma trilha. Commodities agrícolas na bolsa de Chicago com quedas.

No Brasil, Bolsonaro fez reunião com seus ministros para traçar diretrizes. Joaquim Levy, futuro presidente do BNDES, disse esperar que a reforma da Previdência saia ainda no primeiro semestre. Quanto aos mercados acionários, a bolsa de Londres fechou com queda de 3,58%, Paris com -3,31% e Frankfurt com -3,48%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 2,75% e 3,545. Na Bovespa, comportamento maia comedido, e faltando ainda mais de uma hora para encerramento, o índice caía 1,11%, aos 88.078 pontos, com Petrobras em queda de 4,15% e Vale com -1,67%.

Amanhã dia de divulgação da inflação oficial de novembro pelo IPCA e o IGP-DI. Nos EUA, a confiança do consumidor de Michigan de dezembro e o payroll com a criação de vagas no setor público e privado em novembro e taxa de desemprego.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais