Esqueçam dados econômicos de conjuntura que sempre deveriam orientar os mercados de risco. Nesse momento e, nessa semana, deve existir completa dominância do noticiário político. E se isso é o mais provável, não é de se esperar nenhuma consistência de movimentos, em função da fraca previsão de resultados.

Avaliando o cenário externo, a semana embute eleições no Reino Unido onde as pesquisas variam de quase nenhuma diferença para o partido conservador de Theresa May, até uma vantagem mais folgada de cerca de 20%. Mas o fato de May ganhar não significa apoio do parlamento inglês, o que pode tornar a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) mais sofrida e complicada. O ataque terrorista ocorrido em 03 de junho acirrou ânimos para a eleição de 08 de junho. O que tornou o resultado ainda mais difícil.

Nos EUA, temos indicadores de conjuntura um pouco mais frágeis e indicações de diretores para o FED que podem mudar um pouco a postura de elevar juros e de reduzir o tamanho do balanço do FED; que está em cerca de US$ 4,5 trilhões e que poderia ser reduzido de forma bem gradual para algo pouco inferior a US$ 3,0 trilhões, já a partir do final do ano de 2017. Pelo menos, essa é a previsão de diferentes presidentes de FEDs regionais.

Porém, o maior problema está sempre focado no lado político com as confusões engendradas pelo próprio presidente Donald Trump. Na semana passada, Trump anunciou que os EUA estavam se retirando do acordo climático de Paris, por conta de prejudicar o desempenho da economia americana. Na verdade, uma atitude isolacionista dos EUA e muito criticada pelo resto do mundo, exatamente quando temos em 05 de junho a comemoração mundial do dia do meio ambiente.

A semana inclui (na quinta-feira) depoimento no Senado americano do ex-diretor do FBI, James Comey, que supostamente teria feito um memorando sobre sua última reunião com Trump, que teria pedido para esquecer os problemas com os russos e atividade do ex-secretário Lynn. Fora isso, o Congresso americano teria pedidos documentos possuídos por Comey.

Falamos disso, mas podemos elencar possível desaceleração projetada da economia da China, o que mexe com preços de commodities e pode afetar de forma mais forte economias emergentes e retomada do crescimento. Aparentemente, a China já começou a se movimentar no sentido de não deixar isso acontecer.

Falando de emergentes e mais precisamente do Brasil, a situação não é menos desgastante. A crise política é grave. Na semana, teremos desdobramentos que podem ser importantes. O pleno do TSE começa a julgar a chapa Dilma-Temer com resultados imponderáveis. O PSDB, pressionado pelos “cabeças pretas”, faz reunião que pode consolidar o apoio da base ao presidente Temer ou provocar a saída. Além disso, durante o período, o presidente do Conselho da Odebrecht, Emilio Odebrecht, será ouvido por Moro junto com Alexandrino sobre Lula e benesses recebidas em troca de favores. Moro pode julgar rápido a condenação em primeira instância.

O Governo Temer e seus advogados entraram numa vertente de defesa perigosa de questionar Rodrigo Janot (Titular da PGR) e o ministro Fachin de estarem usando critérios políticos e não técnicos para avaliarem a situação. Os jornais já dão conta que o STF estaria rachado e que o ministro Fachin sofre ataque. Certamente não é bom ter o STF e o Judiciário (sendo mais amplo) rachados.

Por tudo isso é que a dominância será do segmento político e os mercados vão adotar postura prudente. Pena que isso ocorre exatamente quando os mercados no exterior batem sucessivos recordes históricos (S&P e Nasdaq, Mumbai na Índia), ou estão em níveis bem elevados com Japão.

Cabe encerrar com citação de Dale Carnigie: “Lembre-se: hoje é o dia de amanhã que tanto lhe preocupava ontem”.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais