É preciso acelerar!
Por Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Os indicadores de conjuntura do país mostram apenas leve recuperação, saindo de patamar extremamente baixo e depois de dois anos de crescimento pífio do PIB. Leve destaque para o segmento de serviços e breve recuperação de vendas no varejo, mais na direção da reposição, depois de muitos meses de consumo sendo adiado.

Na virada do mês, o IBGE anunciou dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em março já mostrando alguma recuperação em setores. Mesmo com a indústria demitindo 110 mil empregados e o comércio com queda de 195 mil postos de trabalho. Não dá para comemorar absolutamente nada dessa melhora relativa. Dado que somos hoje 13,4 milhões de desempregados e 4,8 milhões de desalentados, aqueles que já deixaram de procurar emprego. Falta trabalho, segundo o IBGE, para 28,3 milhões de pessoas e a taxa de desemprego briga para não chegar aos 13%, ficando nessa pesquisa em 12,7%.

Temos dito consistentemente que o Brasil precisa de inúmeras reformas estruturantes, começando pela reforma da Previdência. Em 29 de abril, o Tesouro Nacional anunciou déficit do INSS de R$ 22,6 bilhões em março. O secretário Mansueto de Almeida lembrou a insuficiência em relação à regra de ouro de R$ 110,4 bilhões, crescendo de avaliação anterior de R$ 95,5 bilhões. Mansueto cita que o volume de investimento público está muito baixo e se a arrecadação seguir baixa como foi em março, o governo terá que cortar despesas correntes, sendo que a margem é muito pequena pelas despesas já carimbadas.

Ao que tudo indica, nosso Congresso ainda não percebeu a urgência de serem feitas reformas, e o começo obrigatoriamente passa pela reforma da Previdência. O governo fala e mostrou contas indicando que seria necessária economia fiscal da ordem de R$ 1,2 trilhão em dez anos, mas o que temos assistido é que a tendência do Congresso é para economia de somente a metade.

Pensar numa reforma que economize somente R$ 500 ou R$ 600 bilhões seria muito ruim. Não conseguiríamos dar resposta adequada para os problemas prementes da economia e exigiria novos e dolorosos ajustes quase que em seguida. Igualmente, não representaria boa demonstração de que queremos ser efetivamente um país sério aos investidores estrangeiros e aos locais.

Como via de consequência, os investimentos não viriam em intensidade suficiente para ampliar o PIB potencial da economia nos próximos trimestres e nossa economia seguiria patinando, como crescimento um pouco menor, mas longe da boa aceleração do crescimento. Pensamos que uma economia fiscal de menos de R$ 800 bilhões em dez anos seria uma derrota para o governo de Bolsonaro e para as pretensões do ministro Paulo Guedes, que quer mudar o regime para acumulação.

Precisamos de uma reforma da Previdência mais próxima de R$ 1,0 trilhão, para não deixar dúvidas sobre a nova atitude liberal do País. Com isso, abriria espaço para novas reformas de vulto como a tributária, para acelerar o processo de privatização, ampliação da competitividade e produtividade. Tudo indicaria a mudança de postura do Brasil frente aos desafios impostos.

Com a economia apontada para o rumo certo, o mercado de capitais ganharia impulso e poderia cumprir sua finalidade de capitalizar empresas, projetos e acelerar o crescimento. Certamente, voltaríamos ao radar dos investidores em todo o mundo e poderíamos almejar crescimento consistente acima de 4,0% ao ano, com inflação e juros baixos. E ainda com mais satisfação da população e emprego.

O Congresso Nacional tem o dever de ajudar e acelerar o trâmite. E se a oposição tiver um projeto alternativo que mostre, ao invés de tentar solapar o projeto original sem apresentar solução factíveis.