Diz o ditado popular que “em casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão”.

O presidente Temer usou recursos que não dispunha (ou fez maus gastos) para conseguir rejeitar a denúncia produzida pela PGR. Com isso, se desgastou um pouco mais junto à sociedade que lê jornais e, depois, desagradou diferentes partidos. Os partidos ligados ao que se denominou “centrão” cobram do presidente que puna os infiéis, claramente alojados no PSDB.

Na visão do “centrão” ficou claro que diante da divisão na votação do PSDB, o partido possui mais ministros (quatro no total) e cargos diversos além da conta. O centrão cobra o apoio dado ao presidente, mas deseja número maior de cargos. Querem distribuição mais equitativa diante do apoio manifestado. Isso deixa o presidente na corda bamba e sem cacife para seguir aprovando reformas, já que o centrão promete pouco empenho, se não for atendido em seus pleitos.

Temer pode voltar a abrir o “saco de bondades”, mas vai custar mais caro, principalmente se sofrer outra denúncia por parte da PGR. A bola está com Rodrigo Janot que pode oferecer outra denúncia , ou deixar o tempo correr até sua saída do comando da PGR em meados de setembro. De qualquer forma, até lá estaremos no aguardo de novos passos.

Economistas e agentes dos mercados já não conta muito com reformas importantes e bem fundamentadas, como as da Previdência e Tributária para esse ano, ou mesmo o próximo. Mais mesmo reformas desidratadas seriam importantes que acontecessem, para aplacar os efeitos danosos que podem ocorrer a partir da mudança de metas de déficit que podem ser anunciadas nessa semana.

As especulações dão conta que o governo tenciona elevar a meta de déficit fiscal de 2017 e 2018 para algo próximo de R$159 bilhões, no mesmo patamar do déficit ocorrido em 2016. Ou seja, o ajuste proposto pelo ministro Henrique Meirelles foi para o espaço.

Isso pode ocasionar de imediato a postura do país diante das principais agências de classificação de risco (S&P, Moody’s e Fitch), via rebaixamento, até porque está na hora de revisão da perspectiva negativa imposta ao país. A primeira consequência disso e que recursos ficaram mais caro para tomadores locais e a redução do volume de investimentos que no Brasil poderiam aportar, principalmente em projetos de infraestrutura e concessões.

De nossa parte, entendemos que por mais tímidas que possa ser, a aprovação de reformas soariam bem para a comunidade financeira internacional, numa fase em que bancos centrais desenvolvidos já se preparam para mudar o viés das da flexibilização monetária e ainda a redução do tamanho dos bancos centrais. Entendemos que presidentes com baixa aprovação da sociedade, como Temer, podem desagradar grupos e instituir as reformas necessárias. Mas o problema está no que exige o concurso do Congresso Nacional.

Temos a certeza de que a desistência em fazer reformas nesse e no próximo ano será bem pior do que não tenta-las. Para os mercados seria boa sinalização e poderia produzir reprecificações de ativos mais rápida e facilitar a própria recuperação da economia e retomada dos investimentos.

Na nossa avaliação isso deveria ocorrer até março ou abril próximos. Depois, não haverá mais tempo em função das eleições majoritárias marcadas para outubro.

Por Alvaro Bandeira
Sócio e Economista Chefe home broker modalmais